Opinião

Cartas ao director

O aeroporto do Montijo

Se há algum facto que prestigia o nosso país foi a criação da Reserva Natural do Estuário do Tejo (RNET), que foi sempre a jóia da política de Ambiente em Portugal e património da UNESCO. Sempre, não - a primeira alfinetada foi a desafectação de uma parte para possibilitar o Freeport, que deu azo a denúncias de política fraudulenta e levou a destituição do então director da RNET, Antunes Dias, que se opôs ao “negócio” do Governo de José Sócrates. Vários atentados têm sido feitos nos mouchões e noutras periferias da reserva, até que agora veio a “grande obra nacional” do aeroporto de Lisboa. O movimento de algumas ONG (nem todas...) e a posição que diversas personalidades têm revelado em oposição, não vai conseguir nada. Quando o negócio é grande não há barreiras que o impeçam. Se existisse um Ministério do Ambiente que fosse digno desse nome teria logo em 2015 pedido uma Avaliação Ambiental Estratégica para que o aeroporto de Lisboa fosse construído onde melhor situação tivesse - mas arrastam-se os anos e ainda estamos a discutir o assunto, depois de um EIA que chumbou obra e um segundo EIA que o aceita, claro, limitando-se a dar milhões para proteger as pessoas e as aves. Se a UNESCO retirar o título à RNET e se acontecerem acidentes aeronáuticos mais tarde, nessa altura tudo será já tarde demais.

Fernando Santos Pessoa, Faro

António Costa e o sindicalismo

O ego de António Costa não lhe permite conviver com o sindicalismo, algo que sempre foi justamente valorizado e considerado pelo PS. Quem perde são os trabalhadores e o próprio PS. Por isto fiquei triste com a notícia dos motivos da não recandidatura de Carlos Silva a secretário-geral da UGT. António Costa não gosta da concertação social embora queira dar a impressão de que sim. António Costa nunca foi um defensor do sindicalismo pois sempre preferiu uma negociação menos partilhada e mais autoritária. Por estas e outras semelhantes é que o sindicalismo não existe e, assim sendo, o caminho para os desvarios patronais está cada vez mais facilitado.

Manuel Morato Gomes, Senhora da Hora 

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