V. Guimarães e FC Porto numa Taça da Liga que nada lhes tem dado

Esta competição tem sido um pesadelo para portistas e vitorianos, ambos sedentos de uma conquista na prova que tem ganho peso no futebol nacional.

Bondarenko e Zé Luís no último jogo entre as duas equipas.
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Bondarenko e Zé Luís no último jogo entre as duas equipas. LUSA/FERNANDO VELUDO

Entre os cinco clubes mais pujantes deste milénio na Liga portuguesa, Vitória de Guimarães e FC Porto são os que menos têm tirado da Taça da Liga. Enquanto Benfica, Sporting e Sp. Braga já venceram esta competição, portistas e vitorianos continuam a passar por ela sem brilho. Motivo suficiente para que, nesta quarta-feira (19h45), a meia-final da Taça da Liga, entre V. Guimarães e FC Porto, signifique mais do que uma passagem à final. Significa, acima disso, a tentativa de fazer história nos respectivos museus.

Sendo certo que a Taça da Liga é apenas a terceira competição mais importante do país, poucos negarão, porém, que a prova está em claro crescimento, sobretudo com o trabalho feito no formato final a quatro. Também por isso a conquista desta prova não é algo de se enjeitar em qualquer dos lados. O FC Porto quererá quebrar a “maldição” desta prova, depois de duas finais e cinco meias-finais perdidas em 12 edições, enquanto o Vitória chegou, apenas, a duas meias-finais.

No Vitória há, ainda, outro aspecto relevante: com a Taça de Portugal perdida, a Liga Europa finalizada e a difícil luta europeia no campeonato, a Taça da Liga pode ser, para os minhotos, o colorido adicional que falta à temporada da formação de Ivo Vieira.

FC Porto tem conseguido recuperar das derrotas

O FC Porto chega a este jogo com o tradicional favoritismo teórico, mas em claro momento delicado do ponto de vista mental. Na antevisão deste jogo – que se segue à derrota caseira frente ao Sp. Braga, no campeonato – Sérgio Conceição assumiu que “é sempre melhor trabalhar em cima de vitórias do que de resultados negativos”. E acrescentou: “Não sou hipócrita para dizer que está tudo bem, que está tudo extremamente feliz”.

Mas Conceição poderia ter dado uma resposta mais contundente e baseada em números. É que, nesta temporada, o FC Porto tem sido categórico a recuperar de momentos animicamente negativos: a seis jogos de pontos perdidos seguiram-se triunfos em cinco deles.

O Vitória, por outro lado, chega a este jogo num momento “morno”. Pouco concretizadora, a equipa tem mostrado mais capacidade a criar jogadas do que a finalizá-las, algo que poderá pesar num jogo a eliminar como é este frente ao FC Porto.

O treinador, Ivo Vieira, abordou esse tópico. “Não temos tido resultados abonatórios contra as equipas ditas “grandes”. Nós também o somos e temos de equilibrar essa questão. Temos tido tanta qualidade de jogo e tantas oportunidades como essas equipas fortes, mas a diferença faz-se nos golos”, apontou, na antevisão desta meia-final.

Uma meia-final na qual pode esperar-se um duelo curioso em termos de postura das equipas. É que os números dizem que V. Guimarães e FC Porto são as duas equipas que, em Portugal, mais tempo passam no meio-campo dos adversários e são, respectivamente, a segunda e terceira que mais remates fazem por jogo – dados que poderão indicar uma partida de futebol ofensivo e com várias oportunidades de golo.

Outro aspecto que poderá ter relevância é o peso das bolas paradas. O FC Porto é, de longe, a equipa que mais aproveita esses lances, em Portugal, enquanto o Vitória é a terceira equipa da Liga mais frágil a defender jogadas deste tipo. E nestes dois aspectos pode decidir-se quem sorrirá em Braga.