Reportagem

Vai casar? Sustentabilidade é a grande tendência para 2020

Reunimos profissionais da área para o aconselhar como usar as tendências para 2020 neste dia tão especial. Este fim-de-semana, houve Exponoivos em Lisboa, para o próximo será na Exponor, em Matosinhos.

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Detalhes coloridos são umas tendências a apostar este ano. Editorial Plano A. Marta Cabral
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A cor pode ser introduzida através da decoração floral. Proposta da Casar com Graça Pedro Vilela
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Wedding Planner: Casar com Graça. Pedro Vilela
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A tendência é para que os casamentos se vão tornando mais pequenos. Casamento organizado pela Plano A. Marta Cabral
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A iluminação, com recurso por exemplo, a velas pode mudar por completo a atmosfera de um espaço. Decoração Plano A. Bárbara Barcelos
Desenho floral
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Decoração: Quinta da Quintã João Almeida
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A iluminação Edison torna a decoração mais romântica. Proposta Quinta da Quintã. João Almeida
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Casamento na Quinta da Quintã. Pedro Lopes
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Coleção 2020 de Pureza Mello Breyner DR
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As capas e caudas dramáticas continuam a ser tendência para este ano. Coleção 2020 de Pureza Mello Breyner DR
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Pureza de Mello Breyner aponta as mangas bufantes como outra das tendências. Colecção 2020. DR
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Em termos de tecidos, Pureza Mello Breyner aponta para materiais alternativos, que não sejam a clássica renda e cetim. DR
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Pureza Mello Breyner, garante que este ano vamos continuar a ver muitas capas. DR
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Sara Silva da loja de noivas Vestidus, destaca as costas trabalhadas. DR
,Decote
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Véus dramáticos. Proposta na Vestidus Atelier. DR
,Vestir
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Vestidos boho chique. Vestidus Atelier DR
,Noiva
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Vestidus Atelier DR

Vai casar este ano? Sustentabilidade é a palavra do ano nos casamentos e aplica-se a tudo. Reunimos profissionais da área para o aconselhar como usar as tendências para 2020 neste dia tão especial. Este fim-de-semana, houve Exponoivos em Lisboa, para o próximo será na Exponor, em Matosinhos.

Susana Esteves Pinto, fundadora da plataforma Simplesmente Branco, explicou ao PÚBLICO as tendências na indústria dos casamentos para este ano. Durante toda a conversa, a palavra sustentabilidade foi a mais referida, mas a especialista alerta: “Há aqui uma grande confusão entre ser-se eco-friendly e ser-se forreta.” Ou seja, as decisões devem ser tomadas com sentido e não só porque é mais barato ou mais caro. 

Em 2020 mais casamentos eco-friendly

Eco-friendly e sustentabilidade são termos que abrangem todos os aspectos de um casamento: desde a decoração, estacionário, passando pelas lembranças, até ao catering. “Como em qualquer evento, o volume de desperdício é sempre muito grande”, salienta Susana Esteves Pinto.

Para combater o desperdício de comida, por exemplo, os profissionais aconselham sempre aos noivos que escolham uma instituição para, no final, recolher os restos da refeição. O uso de produtos locais e de época é também de privilegiar, aconselham Cátia Leandro e João Gomes, da empresa de organização de eventos Plano A.

No que concerne ao bar após a festa, devem, claro, ser evitados todos os descartáveis, substituindo-os por soluções alternativas (louça, vidro, bambu ou papel prensado). Joana Coelho, uma das responsáveis da Quinta da Quintã, em Mozelos, perto de Espinho, garante que o desperdício na indústria é difícil de gerir.

Será que as lembranças que o casal dá aos convidados são assim tão importantes? “Sugerimos sempre aos nossos noivos que, em vez de oferecerem um presente, que poderá ir para uma gaveta, contribuam para uma associação em nome de todos os convidados”, sugere a wedding planner Ticas Graciosa, da Casar com Graça e Flores com Graça.

A Plano A sugere também eliminar tudo o que são pormenores descartáveis, como balões, kits para casa de banho, arroz no final da cerimónia, embalagens para bolas de sabão, etc.

Os convites, estacionário e menus não reúnem consenso entre os profissionais. Ticas Graciosa aconselha sempre os noivos a dispensarem o envio de convites, entregando-os apenas aos convidados com mais idade ou maior formalidade e a utilização de apenas um menu por mesa. Susana Pinto Esteves, do Simplesmente Branco, considera que os materiais para os convites devem, sim, ser repensados e sugere a utilização de papéis reciclados, por exemplo.

Flores desidratadas: a grande aposta na decoração floral

A sustentabilidade também abre caminho pela decoração floral, através das flores desidratadas, uma opção “zero desperdício”, com um “resultado criativo muito interessante”, sugere Susana Pinto Esteves.

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Material gráfico - Quinta da Quintã João Almeida

Não é suposto a decoração floral do casamento ser feita apenas com recurso a flores secas, mas os profissionais garantem que estas marcam a diferença nos detalhes. Ticas Graciosa, da Flores com Graças, propõe a aplicação nos bouquets da noiva. Cátia Leandro e João Gomes aconselham a aplicar flores desidratadas em tudo o que seja para guardar, por exemplo os acessórios de lapela do noivo, do cabelo da noiva e dos pajens e também no material gráfico, como os convites.

Se o estilo do casamento for o vintage ou boho chique, Joana Coelho, da Quinta da Quintã, garante que as flores desidratadas podem “conferir um toque um pouco mais outonal” à decoração. Outra forma de as utilizar é em substituição das tradicionais pétalas que se lançam aos noivos no final da cerimónia, para decorar o bolo dos noivos ou para decorar o guardanapo.

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Decoração Plano A Marta Cabral

Susana Abreu, da Inspirarte, decoração de eventos, costuma também incluir flores secas nos centros de mesa. “Têm ainda uma grande vantagem nesta época da reutilização que vivemos — podem ser adaptadas pelos noivos, ou pelos seus convidados, na decoração das suas casas”, propõe a decoradora.

No que toca à decoração floral, há um repto para que se deixe de utilizar as espumas na construção de arranjos. Em substituição, devem ser utilizados arames, que “resulta não só numa solução mais sustentável, mas também arranjos florais mais orgânicos e livres”, defende Joana Coelho, da Quinta da Quintã.

Cor em abundância

A cor do ano da Pantone é o azul clássico e se o tom orienta as tendências da moda, é natural que também o faça para os casamentos. “É uma cor que tem bastante a ver connosco [portugueses]”, reconhece Susana Pinto Esteves.

Este tipo de azul é uma das cores predominantes do azulejo português. Assim, se o azul for uma das suas cores de eleição e gostar de azulejos, pode ser uma boa aposta, como sugerem Cátia Leandro e João Gomes da Plano A. Joana Coelho, da Quinta da Quintã, sugere também um pequeno azulejo pintado à mão como lembrança.

Cor em abundância, não só azul, é outra das tendências apontadas por Susana Pinto Esteves. “Estão a passar os dias do branco e do nude”, defende a especialista. Não quer dizer que a decoração seja toda colorida. A decoradora Susana Abreu sugere que esta deve introduzida nos pequenos apontamentos. “A utilização da cor não tem de ser feita de forma massiva, mas sim de uma forma delicada, que traga harmonia e elegância ao resultado final”, sublinha a decoradora da Inspirarte.

A cor base de um casamento deve ser sempre neutra, aconselha a Quinta da Quintã. Depois a cor de realce, para elementos decorativos e outros detalhes, pode ser mais ousada.

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Proposta Quinta da Quintã João Almeida

Para conseguir um equilíbrio, o ideal é introduzir a cor através de flores, velas e castiçais, no material gráfico (como menus e marcadores de lugar), identificadores de mesa, bolo dos noivos, toalhas, corredores de mesa, guardanapos, almofadas, etc. Se quer apostar na cor, mas tem medo de arriscar, Ticas Graciosa aconselha a escolher uns guardanapos coloridos: “Colocados em cada lugar pode ter um efeito divertido e colorido, mas que não vai cansar porque quando os convidados se sentam colocam o guardanapo no colo e essa explosão de cores desaparece e fica tudo mais equilibrado.”

Micro-weddings: a tendência que não seduz os portugueses

Micro-weddings são casamentos mais pequenos, com até 20 convidados. Se entre os casais estrangeiros, a opção se tornou uma tendência, Susana Pinto Esteves comenta que é difícil que os portugueses adiram à moda. É provável, ainda assim, que os casamentos se tornem mais pequenos, mas nunca micro. “O grupo é mais pequeno, o que proporciona um momento muito mais intimista, um nível de qualidade muito maior e uma experiência mais interessante”, defende a autora do Simplesmente Branco.

Se optar por reduzir o número de convidados, e deixar os primos afastados que mal conhece de fora, conseguirá, certamente, um dia mais pessoal e intimista. “É mais fácil chegar aos pequenos detalhes, direccionados aos noivos e aos seus convidados”, reconhece a Plano A.

Iluminação é decoração

A decoração de um casamento vai além das flores e do centro de mesa. Este ano, Susana Pinto Esteves aponta a iluminação com uma das grandes tendências, com a capacidade de transformar um espaço. “Pode transformar um espaço normal, sem graça, num sítio absolutamente mágico”, destaca a especialista.

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Casamento organizado pela Plano A. Marta Cabral

Ticas Graciosa, da Casar com Graça, sugere a iluminação Edison, lâmpadas que caem sobre as mesas, como a grande aliada para 2020, para criar “ambiente romântico e acolhedor”. A Plano A sugere que a iluminação de diferentes cores pode ser também uma forma de tornar mais colorido este dia, contribuindo para um ambiente festivo.

Mangas, caudas, capas e véus: os pormenores importam

O foco nos detalhes é a grande tendência para os vestidos de noiva em 2020. A designer Pureza Mello Breyner, garante que este ano vamos continuar a ver muitas capas, mangas volumosas, caudas compridas e trabalhadas e “cada vez mais véus”. “Há medida que os vestidos têm, cada vez menos, aquele aspecto de vestido de noiva, o véu faz falta para dar um ar de noiva”, justifica a designer.

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Iluminação Edison. Decoração Quinta da Quintã. João Almeida

Sara Silva, da Vestidus Atelier em Lisboa, garante que as noivas “são cada vez mais informadas sobre as tendências”. No entanto, “a decisão passa mais por se sentirem confortáveis e lindas no vestido, do que necessariamente se o modelo corresponde à última tendência de moda para noiva”, defende a empresária.

Pureza Mello Breyner aponta para outra grande tendência: vestidos de duas peças, que “se transformam”. É “uma noiva com dois looks: um para cerimónia, outro para a festa”, explica a designer, com atelier em Lisboa, mas cujo seu trabalho está no Wedding Villa, no Porto. Na sua colecção para este ano existem vários destes modelos, com caudas e capas que se podem depois retirar. Em termos de tecidos, Pureza Mello Breyner aponta para materiais alternativos, que não sejam a clássica renda e cetim, como o chiffon, bordados, pedrarias e brocados.

“As tendências servem para sonharmos”

Susana Esteves Pinto segue atentamente as tendências, fruto do trabalho que desenvolve no Simplesmente Branco, no entanto acredita que estas têm “um impacto muito ligeiro”. “As tendências servem para sonharmos”, defende.

PÚBLICO - Vestidus Atelier
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PÚBLICO - Pureza Mello Breyner
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PÚBLICO - Pureza Mello Breyner
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Por isso, mesmo que tenha ficado inspirado por algumas das ideias sugeridas, saiba que este dia deve ser o espelho da sua identidade. “Um casamento é um dia especial, deve ser algo à medida de cada noivo e noiva, à medida do casal”, sublinham Cátia Leandro e João Gomes, da Plano A.

Transversalmente, os profissionais acreditam que as tendências podem ser, sim, uma inspiração, mas nunca algo que vá ditar o dia. “É muito importante que se sigam as tendências que façam realmente sentido para o projecto que temos em mãos, tendo sempre em consideração o nosso gosto pessoal, o estilo do nosso espaço, a proposta que nos trazem os noivos e o caminho que queremos percorrer”, acredita Joana Coelho, da Quinta da Quintã. Ticas Graciosa, do Casar com Graça, concorda: “Nunca fizemos casamentos em pacote porque acreditamos que a grande diferença de um evento para um casamento é principalmente a personalização.”

“Isto de casar é uma coisa especial. Felizmente, pode ser como nós quisermos e isso é a parte mais maravilhosa”, conclui Susana Esteves Pinto. Ou seja, se não se identificou com nenhuma das tendências, não há problema, siga o seu instinto e deixe-se inspirar pelos profissionais que o acompanham.

Texto editado por Bárbara Wong