Surto viral: Liga não autoriza adiamento de jogo entre V. Setúbal e Sporting

Sadinos pediram adiamento do jogo de sábado, depois de infecção viral afectar 20 jogadores. “Leões” referem calendários competitivos “sobrecarregados” como justificação para decisão.

Jogadores do V. Setúbal festejam vitória frente ao Desp. Aves
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Jogadores do V. Setúbal festejam vitória frente ao Desp. Aves MANUEL FERNANDO ARAÚJO/LUSA

O Vitória de Setúbal requereu, esta quinta-feira, o adiamento da partida da 16.ª jornada do campeonato frente ao Sporting, agendada para o próximo sábado. No entanto, o clube de Alvalade diz que o calendário apertado impossibilita a marcação de nova data para a partida. Em comunicado emitido ao final da tarde de quinta-feira, a Liga explica que, não se verificando consenso entre clubes, o adiamento não poderá ser autorizado. "Tendo a Liga Portugal diligenciado junto dos dois clubes com vista à solução da questão e verificando que estes não chegam a um consenso, o adiamento não está em condições de ser determinado”, escreve a Liga. ​ ​ 

O treino desta quinta-feira do conjunto do Bonfim foi cancelado, depois de duas dezenas de jogadores terem sido infectados por um surto viral que afecta o plantel sadino desde a partida frente ao Famalicão. Em conferência de imprensa realizada no Estádio do Bonfim, o dirigente dos sadinos, Vitor Hugo Valente, adiantou que 20 jogadores estão indisponíveis, 14 dos quais hospitalizados. O presidente do V. Setúbal disse que o quadro clínico é “urgente”, garantindo que ofereceu ao Sporting pelo menos duas datas que não prejudicam a calendarização dos “leões”, após a resposta negativa do clube de Alvalade. 

“A Liga disse-nos para encontrarmos uma data. O Sporting respondeu-nos através de um funcionário do departamento de futebol dizendo que não tinham datas disponíveis. O Vitória sugeriu como data disponível as datas das meias-finais da Taça de Portugal, que nenhum dos clubes está a disputar. Não tem lógica jogar com os juniores”, adianta Vitor Hugo Valente. O dirigente afirmou ainda que, sendo Frederico Varandas médico, não acredita que o Sporting mostre insensibilidade face à situação dos sadinos. 

O responsável pelo departamento médico, Ricardo Lopes, alertou para a possibilidade de existirem ainda mais jogadores contaminados pela infecção. "Vários atletas tiveram necessidade de hospitalização, recebendo medicação por via endovenosa. Perante esta situação clínica, a maioria dos jogadores não apresenta condições para serem colocados, em curto prazo, na situação de jogo. Neste caso, estamos perante um vírus atípico com violência alta e possibilidade de contágio também alta. Não quer dizer que os jogadores que ainda não apresentaram sintomas não estejam infectados. O período habitual de recuperação é de sete dias. Perante os quadros [clínicos] actuais, não é viável uma recuperação [até sábado] “, resumiu o médico. 

O Sporting confirmou, numa nota de imprensa, a impossibilidade em aceder ao pedido dos sadinos, afirmando que “os calendários das competições estão sobrecarregados”. A data alternativa apresentada pelo V. Setúbal surge num período em que o clube irá disputar a final four da Taça da Liga e receber o Benfica, justificam os “leões”, motivo que impede nova calendarização.

“Atendendo à planificação feita e à importância da continuidade de bons desempenhos das equipas Portuguesas nas provas da UEFA, com manifestos benefícios para o futebol português, o Sporting Clube de Portugal não pode correr o risco de chegar a esses momentos com os seus jogadores competitivamente sobrecarregados e com riscos acrescidos de lesões”, explicam os “leões”. 

O V. Setúbal está a proceder à esterilização dos balneários e outras zonas frequentadas pelos jogadores infectados. O encontro da 16.ª jornada tinha início marcado para as 20h30 de sábado, no Estádio do Bonfim, em Setúbal.

Notícia actualizada às 19h06: Acrescentado comunicado da Liga Portugal