Mondego: Montemor mantém alerta às populações, Soure normaliza

Em Montemor-o-Velho mantém-se o “elevado risco” de cheia. Em Soure, depois do susto, vive-se o regresso à normalidade.

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LUSA/PAULO NOVAIS

O presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, Emílio Torrão, afirmou este domingo que há grande preocupação com o rebentamento de diques e que a população do concelho deve estar preparada para um cenário de evacuação. “Há um elevado risco de cheia em Montemor-o-Velho e Ereira”, disse o autarca ao PÚBLICO.

Depois da ruptura, no sábado, de um dique no principal canal do rio Mondego, que fez despejar uma enorme massa de água para os campos do baixo Mondego, receia-se agora que os diques secundários sucumbam à força das águas.

“Neste momento, a nossa maior preocupação é o perigo de colapso das estruturas”, afirmou o autarca, referindo que se têm verificado “subidas de meio metro do nível da água em duas, três horas, nas zonas mais baixas de Montemor”. “Ainda estamos muito longe das cheias, mas a esta velocidade estamos muito preocupados”, disse Emílio Torrão.

A autarquia de Montemor-o-Velho mantém-se desde ontem em alerta de cheia e procedeu mesmo à retirada de mais de duas centenas de pessoas que estavam em risco, na parte baixa de Vila de Pereira, Santo Varão e Formoselha.

O sobressalto mantém-se este domingo com a “quantidade de água que continua a entrar e não tem por onde sair”, afirmou Emílio Torrão. O presidente da autarquia aproveitou para “lançar um alerta às populações”, para que se previnam para uma evacuação que pode acontecer a qualquer momento, se os diques secundários colapsarem.

“Tenham à mão uma muda de roupa e os documentos de identificação, protejam os móveis e electrodomésticos”, afirmou.

“Estabilidade e melhoria” em Soure

Apesar do agravamento das condições na margem direita do Mondego, o cenário acalmou na margem esquerda. Em Soure, o presidente da autarquia, Mário Nunes, garantiu que a situação que se vive é de “estabilidade e melhoria”.

A maioria das ligações dentro da vila está restabelecida e a energia eléctrica está reposta; o nível das águas desceu “cerca de três metros” e “o centro histórico está já desimpedido”, referiu o autarca.

Uma equipa de 20 operacionais do município tem estado a garantir este domingo a desobstrução do leito do rio Arunca, “para permitir um melhor escoamento”, e já se estão “a realizar trabalhos de limpeza”, adiantou ao PÚBLICO.

Uma das preocupações é garantir que “amanhã, dia de mercado na vila de Soure”, em vésperas de Natal, “as coisas se possam processar com normalidade”.

Mário Nunes diz que “ainda é cedo” para avaliar os prejuízos causados pelo mau tempo dos últimos dias. Além de “alguns estragos em quintas e moradias”, o autarca admite danos em pontões e passagens de valas e ribeiras, e refere que “na semana que vem terá de ser feito um trabalho meticuloso para perceber se é necessário alguma intervenção de engenharia”.

As pessoas que foram retiradas por precaução no sábado já tinham regressado a casa ao início da tarde, estando apenas duas pessoas ainda por realojar em Vila Nova de Anços, “mas em vias de ter a sua situação resolvida”, revelou o autarca.