Viviana Andrada Bauman

A arquitecta Eileen Gray tem agora um quarto no Porto

Passaram 90 anos e a E.1027, a primeira casa que Eileen Gray desenhou, continua a inquietar. O quarto principal desta referência maior da arquitectura moderna tem agora uma réplica na Faculdade de Arquitectura do Porto. Visitá-la — experimentá-la — é uma maneira de entrar no mundo desta mulher que viveu como quis.

É um manifesto com 90 anos e tem um formato pouco convencional. Há quem diga que é, também, uma carta de amor que testemunha a intensa relação de um homem e de uma mulher e, ao mesmo tempo, um momento na história em que a arte e a arquitectura se reinventavam para reinventar o mundo. Qualquer que seja a leitura que dela fazemos, certo é que é uma casa construída por Eileen Gray numa encosta rochosa e de difícil acesso de Roquebrune Cap Martin, na Côte d’Azur, um presente que esta arquitecta anglo-irlandesa quis dar ao seu companheiro da altura, o também arquitecto, crítico e editor romeno Jean Badovici. Terminou-a em 1929 quando tinha 51 anos e ele 36.