Especial de Natal da Porta dos Fundos é a melhor comédia nos Emmy internacionais

A telenovela portuguesa Vidas Opostas, da SIC, estava nomeada mas foi batida por La Reina del Flow, da Colômbia.

,Gregorio Duvivier
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Fábio Porchat e Gregorio Duvivier, da Porta dos Fundos, em Portugal em 2014 Nuno Ferreira Santos

O filme Especial de Natal: se beber, não ceie da produtora brasileira Porta dos Fundos ganhou na segunda-feira o prémio de “melhor comédia” nos prémios Emmy Internacional.

A telenovela portuguesa Vidas Opostas, produzida pela SP Televisão e exibida na SIC, estava entre os nomeados aos prémios de televisão Emmy Internacional, cujo vencedor da categoria Telenovela foi a produção colombiana La Reina del Flow.

Vidas Opostas, escrita por Alexandre Castro e protagonizada por Sara Matos, Joana Santos, Diogo Amaral, João Jesus e Renato Godinho, disputava a categoria Telenovela com The River, da África do Sul, La Reina del Flow, da Colômbia, e 100 Dias para Enamorarse, da Argentina.

O filme brasileiro Especial de Natal: se beber, não ceie uma história escrita e criada pelo actor Fábio Porchat, gira em torno dos 12 apóstolos, após a Última Ceia com muito álcool à mistura, quando os discípulos, ressacados, percebem que perderam Jesus Cristo. “Obrigado Jesus, estamos aqui graças a você”, disse Porchat, quando foi buscar a estatueta de vencedor.

O comediante criticou ainda a situação política no país: “O Brasil está enfrentando algo estranho, que é tentar colocar a cultura do Brasil como inimiga do povo, mas na verdade somos o rosto do Brasil no exterior”, disse à agência de notícias Efe. “Temos um Presidente chateado e estamos tentando fazer o que podemos, fazer as pessoas rirem, e isso é incrível”, acrescentou.

Os prémios, que foram apresentados no Hilton New York Hotel, no centro de Manhattan, reconheceram mais uma vez os melhores programas de televisão produzidos e transmitidos fora dos Estados Unidos, depois de terem sido votados por cerca de 600 profissionais do mundo da televisão em 40 países do mundo.

“Parte da diversão desta noite é homenagear alguns programas que vão passar despercebidos nos EUA”, disse o apresentador deste ano, o comediante do The Daily Show Ronny Chieng, no início da gala.

A gala ficou ainda marcada por uma falha do actor John Turturro, que apresentou o primeiro prémio e que, em vez de nomear as melhores minisséries que lhe correspondiam, revelou por engano o vencedor do melhor drama, um prémio considerado o clímax do evento. Turturro explicou que recebeu o “envelope errado”.

Quando chegou a hora de anunciar o melhor drama - o programa britânico McMafia -, os apresentadores do prémio, Lou Diamond e Bellamy Young, propuseram ao público que agisse “como se não soubessem quem era o vencedor”.

“Uau, eu não sei o que dizer”, disse o criador de McMafia, James Watkins, provocando gargalhadas na plateia.

Embora as produções brasileiras tenham começado como favoritas com um total de oito nomeações, a verdade é que ‘apenas’ venceram os prémios de “melhor comédia” e “melhor série curta”, por Hack the City.

O turco Haluk Bilginer ganhou o prémio de melhor actor pelo seu papel em Sahsiyet, uma série turca que alcançou as 30 melhores ficções da página especializada em cinema e televisão da IMDB com a história de um oficial diagnosticado com a doença de Alzheimer que decide fazer justiça pelas próprias mãos.

O prémio de melhor actriz foi para a húngara Marina Gera pelo seu papel em Orok Tel (Inverno Eterno), um drama sobre a sobrevivência nos campos de trabalho da União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial.

A colombiana La Reina del Flow foi nomeada melhor telenovela, enquanto a melhor minissérie foi para Safe Harbor.

Portugal já venceu três vezes a categoria Telenovela dos Emmy Internacional: a primeira vez em 2010, com Meu Amor, da TVI, protagonizada por Margarida Marinho, Alexandra Lencastre e Rita Pereira, a segunda em 2011, com Laços de Sangue, da SIC, protagonizada por Joana Santos, Diana Chaves e Diogo Morgado, e a terceira no ano passado, com Ouro Verde, da TVI, protagonizada por Diogo Morgado e Joana de Verona. Além disso, Portugal somava outras quatro nomeações naquela categoria: Remédio Santo (TVI) e Rosa Fogo (SIC), em 2012, Belmonte (TVI), em 2014, e Mulheres (TVI), em 2015.

Fundada em 1969, a Academia Internacional das Artes e Ciências da Televisão dos Estados Unidos é uma organização onde estão representados mais de 60 países e de cerca de 500 empresas da indústria televisiva.

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