Jorge de Sena: o poeta que arejou o lirismo e o académico que “limpou o ranço” à Universidade

As comemorações do centenário do nascimento de Jorge Sena prosseguem esta sexta-feira em Braga com o segundo dia do colóquio Sena Hoje. A filha mais velha do poeta, Isabel de Sena, participou nos trabalhos e contou a história de Francisca, a criança cabo-verdiana que foi “oferecida” ao seu avô.

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Espólio de Jorge de Sena na Biblioteca Nacional enric vives-rubio

O colóquio Sena Hoje abriu esta quinta-feira na Universidade do Minho com intervenções de Vítor Aguiar e Silva, que qualificou Jorge de Sena como “um escritor genial” e “um espírito aberto” que ajudou a “limpar o ranço” do ensino universitário, de Isabel de Sena, que recordou aspectos pouco conhecidos da intervenção do pai no auge da luta pelos direitos civis dos afro-americanos nos Estados Unidos, e que usou uma velha fotografia de família para falar de Francisca, a cabo-verdiana que entrou no clã Sena quando tinha seis anos, e de Rosa Maria Martelo, que partiu do notório desinteresse da poesia de Sena por uma natureza sem marcas humanas para sugerir que essa ausência se articula com a repulsa do autor pelo versejar sentimental e escapista, e com o seu esforço para expandir os registos do género lírico, “com consequências gigantescas” para a poesia portuguesa dos anos 70 em diante.