OPA do Benfica sobre a SAD deve estar concluída até ao início de 2020

A manutenção da SAD em bolsa facilitará futuras operações da sociedade no mercado de dívida, nomeadamente no segmento obrigacionista.

,SL Benfica
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LUSA/JOSÉ SENA GOULÃO

A oferta pública de aquisição (OPA) parcial lançada pela Sport Lisboa e Benfica SGPS sobre a sociedade anónima desportiva (SAD) das “águias” deve estar concluída até Janeiro de 2020, segundo fontes do mercado.

As características desta oferta possibilitam que os prazos normais relativos a este tipo de operação possam ser encurtados, permitindo um rápido desfecho da mesma, com dois especialistas consultados pela agência Lusa, que pediram para não serem identificados, a apontarem para a conclusão da OPA até ao final do ano, ou, o mais tardar, até ao início do próximo ano.

Depois de, na segunda-feira, ter sido feito o anúncio preliminar de lançamento de oferta pública voluntária e parcial de aquisição de acções emitidas pela Benfica SAD, a Benfica SGPS tem que requerer à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) o registo da oferta no prazo de 20 dias (seguidos), prazo que termina a 8 de Dezembro.

Dentro deste prazo, a oferente (Benfica SGPS) tem que enviar à sociedade visada (Benfica SAD) o projecto de anúncio de lançamento e o projecto de prospecto, enquanto a Benfica SAD tem que enviar ao oferente, à CMVM e divulgar ao público um relatório sobre a oportunidade e as condições da oferta. Para tal, a administração da SAD dispõe de oito dias (corridos), contados da recepção dos projectos de prospecto e de anúncio de lançamento.

Por seu turno, a CMVM, após a formalização do pedido de registo da OPA pelo oferente, vai analisar o processo e decidir-se pelo registo ou recusa do mesmo, sendo de notar que a oferta apenas será lançada se, e quando, as condições de lançamento se derem por verificadas (ou suprimidas, por renúncia do oferente). Caso a CMVM registe a oferta, então a oferente procede ao lançamento da oferta de aquisição junto dos investidores.

Ao contrário de outras OPA que envolvem cotadas que actuam em sectores com entidades reguladoras, muitas vezes em diferentes países, que obrigam a pareceres positivos para que a oferta avance, entre outras autorizações administrativas, neste caso não existe este tipo de constrangimento, o que antecipa um desfecho rápido da operação.

"Devolver o Benfica aos benfiquistas"

De acordo com as fontes consultadas pela Lusa, esta OPA segue o objectivo assumido em várias ocasiões pelo presidente “encarnado”, Luís Filipe Vieira, de aproveitar a melhor posição financeira actualmente existente para “devolver o Benfica aos benfiquistas”, um movimento que foi iniciado com a venda pela SAD da Benfica Estádio e Benfica TV à Benfica SGPS, que foi aprovada em meados de Março.

Já o valor oferecido, de cinco euros por acção, claramente acima da cotação das acções antes do anúncio da OPA - representa um prémio superior a 80% face ao fecho da sessão de segunda-feira (2,76 euros), “visa assegurar que os accionistas que adquiriram as suas acções na sociedade visada no decurso da oferta pública de distribuição realizada em 2001 possam vender as acções de que são titulares a um preço semelhante ao preço nominal a que as mesmas foram então subscritas (1.000 escudos, ou seja, 4,99 euros)”, conforme é descrito no anúncio preliminar da operação.

Esta operação, que incide sobre cerca de 28% do capital disperso em bolsa, permite ainda blindar a SAD benfiquista face a possíveis ofertas de outros investidores potencialmente interessados em ficar com uma posição relevante na sociedade, dando ainda maior controlo ao clube, que já detém 40% do capital através de acções de categoria A, e, entre o clube, a SGPS e os administradores, a fasquia sobe para quase 67%, pelo que, caso a oferta tenha sucesso, esta posição reforça-se para a quase totalidade do capital.

Quanto à anunciada intenção de manter a SAD das “águias” cotada em bolsa, após o desfecho da OPA, segundo os especialistas, tal opção permite que a entidade mantenha as exigências de transparência e comunicação ao público das suas contas, pelo facto de estar no mercado regulamentado (Euronext Lisbon), ao mesmo tempo que facilita as futuras operações da sociedade no mercado de dívida, mais concretamente no segmento obrigacionista, fonte de financiamento que tem sido privilegiada face ao crédito bancário.