,Diretor de filme
Entrevista

Christian Petzold, cineasta dum país de fantasmas

A sua obra é um dos acontecimentos centrais do moderno cinema alemão. E é um dos acontecimentos do Lisbon & Sintra Film Festival. A partir de sexta-feira veremos “um país cheio de derrotas e de ideias que foram derrotadas mas que vivem ainda como fantasmas”: a Alemanha.

A obra de Christian Petzold (nascido em 1960) foi-se tornando um dos acontecimentos centrais do moderno cinema alemão. É uma obra que será mostrada,a  partir de hoje, no Leffest, com a integral das suas longas para cinema e três títulos feitos para televisão que correspondem ao período inicial do seu trabalho. Em conjunto, são filmes que formam um olhar singularíssimo sobre a Alemanha contemporânea, “um país cheio de fantasmas”, “um país cheio de derrotas e de ideias que foram derrotadas mas que vivem ainda como fantasmas”, como diz o realizador. História e política marcam os filmes de Petzold, de The State that I am In (2000) aos mais recentes Phoenix e Transit, que os espectadores portugueses têm obrigação de conhecer. Mas também um sentido do melodrama e da importância do sentimento – dívida que Petzold, interessado na “reconstrução do cinema” mais do que na sua “desconstrução”, reconhece ter para com Fassbinder. Como ele, Petzold filma “em relação” com os modelos clássicos do cinema, especialmente do cinema americano: do que ele gostava mesmo, diz-nos, era de ser como Edgar Ulmer a fazer filmes rápidos e baratos na “poverty row” de Hollywood.