Torne-se perito

Galamba recebido com protestos em Boticas

O secretário de Estado da Energia tinha marcada uma visita ao local onde está prevista a exploração de lítio a céu aberto. E foi recebido com protestos dos populares contra a mina.

João Pedro Matos Fernandes
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Nuno Ferreira Monteiro

O secretário de Estado Adjunto e da Energia, João Galamba, foi hoje recebido em Boticas por populares em protesto contra a exploração do lítio, antes da visita que realizou ao Centro de Informação de Covas do Barroso, tal como previsto.

Depois de um encontro na Câmara Municipal de Boticas, o governante seguiu para uma visita ao Centro de Informação de Covas do Barroso, distrito de Vila Real, onde foi recebido por um protesto de dezenas de populares que, empunhando cartazes, gritavam “Não à Mina, Sim à Vida” ou “O Povo é quem manda, não és tu Galamba”.

No local, onde estavam dezenas de populares a protestar, Nélson Gomes, da Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso, contou aos jornalistas querer mostrar ao governante a “indignação e revolta” da população. “Queremos respeito pelo nosso território. Queremos que o senhor Galamba saiba que aqui também há gente, embora pouca, mas há”, lembrou. Dizendo estar “disposto a tudo”, o dirigente referiu que o que está em causa com a exploração do lítio é a “vida das pessoas” e, por esse motivo, pediu mais respeito por elas e pelas suas terras.

Nélson Gomes questionou ainda onde “anda o Presidente da Republica, Marcelo Rebelo de Sousa, que visita tudo e todos”, menos as Covas do Barroso. “Onde é que ele [Marcelo Rebelo de Sousa] anda? Sentimos falta de explicações dele e do primeiro-ministro”, vincou.

Com um cartaz onde se lia “Para cá do Marão, mandam os que cá estão”, Albina Reis assumiu não querer que “gente de Lisboa” venha para o interior destruir o património da região. “Nunca fomos ouvidos, ninguém nos perguntou se queríamos a mina, começaram a procurar e já estávamos com as terras todas viradas”, contou.

Também Elisabete Pires, elevando a voz, relatou que a mina é muito próxima das casas, daí temerem os riscos que podem advir. Criticando o secretário de Estado por não ter “dado a cara”, a moradora lembrou que eles negoceiam e o povo fica “com o lixo”.

Solidário com a luta, Armando Pinto, da Associação Montalegre com Vida, assumiu sentir-se “lesado” pelo facto de a população nunca ter sido ouvido em todo este protesto. “A região é património agrícola mundial, reserva de biosfera e rede natura 2000 e querem destruir tudo isto”, interrogou. 

Após a visita, Galamba dirigiu-se para o seu veículo, que foi cercado pelos manifestantes, antes de o governante abandonar o local. O secretário de Estado Adjunto e da Energia falou, depois, aos jornalistas, garantindo que explicará a lei que atribui aos sociais-democratas. “Não tenho problema nenhum em explicar em detalhe e será certamente no parlamento que terei a oportunidade de explicar ao PSD as coisas que o próprio PSD fez e que o próprio PSD aprovou”, realçou.

O grupo parlamentar do PSD solicitou na quinta-feira uma “audição urgente” do governante João Galamba na Comissão de Ambiente, Energia e Ordenamento do Território pelo que considera ser a “falta de transparência” no processo de concepção da exploração de lítio em Montalegre.

A população de Covas do Barroso, em Boticas, está contra um projecto liderado pela empresa Savannah Resources, que tem garantido que o projecto da mina de lítio em Boticas tem um investimento previsto de 500 milhões de euros e que o recurso potencial conhecido dará para produzir baterias para 250 a 500 mil carros/ano. Segundo os seus responsáveis, o projecto prevê a criação, de forma directa, de cerca de 300 postos de trabalho a longo prazo, repartidos pelas áreas técnicas, administrativas e de suporte.

O projecto – que ainda aguarda luz verde ambiental - tem por objectivo a ampliação da concessão já existente desde 2006 para a “produção de concentrado de espodumena com vista ao aproveitamento de minerais de lítio para alimentar a indústria das baterias eléctricas”.

Notícia actualizada com mais informação e corrigida pela Lusa, às 18h28, sobre a visita do governante ao Centro de Informação de Covas do Barroso, que acabou por se realizar ao contrário do que escreveu inicialmente a agência noticiosa. Acrescentadas declarações de João Galamba às 21h03.

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