Crónica de jogo

“Quem não mata morre” é a sina europeia do Vitória de Guimarães

Com este resultado, os minhotos somam duas derrotas em dois jogos na fase de grupos da competição europeia e são a única equipa do grupo F sem qualquer ponto conquistado.

Bonatini e Gelson em disputa em Guimarães.
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Bonatini e Gelson em disputa em Guimarães. LUSA/JOSE COELHO

Dois jogos, duas derrotas, dois enredos semelhantes. O Vitória de Guimarães voltou a perder na Liga Europa, desta feita por 0-1, frente ao Eintracht Frankfurt, na 2.ª jornada do Grupo F. O jogo foi em tudo semelhante ao da jornada inaugural, na qual os minhotos já tinham deixado que o desperdício hipotecasse um bom resultado frente ao Standard Liège. Nesta quinta-feira não foi diferente e bem disse Ivo Vieira, após a partida, que “fazer um bom jogo não chega”.

A primeira parte mostrou um Vitória pouco interessado em dominar a partida. Pelo contrário, os minhotos entregaram a iniciativa de jogo ao Eintracht, até porque, frente a uma equipa com três centrais, Ivo Vieira percebeu que seria inútil desgastar Davidson e Lucas Evangelista, em inferioridade, numa pressão mais alta e agressiva que poucos frutos daria. Os alemães foram construindo com paciência - demasiada paciência, sobretudo para quem assistiu a esta primeira parte “morna” - e procuraram apostar em bolas mais longas para a dupla Gonçalo Paciência-André Silva. Quando o Vitória recuperava a bola fazia o que melhor sabe fazer: envolver os alas no jogo interior e dar a “batuta” a Evangelista.

O brasileiro mandou no jogo e o Vitória fez triangulações curtas entre Lucas, o lateral Sacko e Edwards, que deixava a ala, obrigando o central alemão do lado esquerdo a desposicionar-se, abrindo o corredor para Sacko. Foi assim aos 16 minutos, com a jogada a terminar com cruzamento do lateral e remate de Bonatini ao poste, primeiro, e de Davidson por cima, depois. E estes movimentos repetiram-se mais três vezes (24’, 32’ e 35’), faltando a definição. 

O Vitória tinha a receita estudada e o Eintracht, que já tinha criado perigo aos 3’, por André Silva, depois de uma perda de bola de Tapsoba em “zona proibida”, pouco conseguiu incomodar Miguel Silva. Com o jogo “morno”, era preciso algo especial e que não precisasse de particular engenho técnico ou táctico. Aos 36’, N’Dicka cabeceou entre Tapsoba e Pedrão - desatenção, sobretudo, do primeiro -, após um pontapé de canto, e fez um 0-1 que condizia com a posse de bola, mas que não condizia, em nada, com a partida que se jogou em Guimarães.

A segunda parte começou com características semelhantes. Lucas Evangelista inventou, criou, deu instruções, baixou, apareceu na ala, surgiu na área a finalizar… o jogo era dele e criou uma grande oportunidade aos 54’ - N’Dicka foi herói em ambas as áreas -, dois minutos antes de uma outra oportunidade para Davidson. 

O Vitória continuava o desperdício. Ivo Vieira mexeu pouco depois, mas acabou por “matar” a equipa minhota. O Vitória teve mais uma boa oportunidade, é certo, (Lucas, de cabeça, aos 71’), mas perdeu a pujança e a agressividade com que tinha “encostado às cordas” o Eintracht no início da segunda parte. E não mais voltou a incomodar os alemães, que até poderiam ter marcado (73’), claro está, na sequência de um canto (Vitória novamente passivo nas bolas paradas). Valeu Miguel Silva a salvar a equipa duas vezes, em dois minutos.

O Vitória jogou e criou, mas falhou na concretização. O Eintracht pouco jogou, mas marcou. E isso, no futebol, ainda é o que conta.