CDU: uma estreia na Lapa do Lobo

Comunistas investiram nesta segunda-feira em distritos pelos quais não têm elegido deputados.

Jerónimo de Sousa
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Jerónimo de Sousa Pedro Fazeres

Nenhum líder do PCP tinha ido à Lapa do Lobo… até esta segunda-feira. Contrariando as acusações de que só anda nos distritos onde tem deputados eleitos, Jerónimo de Sousa fez ontem um hat-trick no “deserto”: andou pelos distritos de Viseu, Aveiro e Coimbra.

Em Canas de Senhorim, na visita ao bairro dos ex-mineiros - onde tarda a avaliação dos níveis de radioactividade das 62 casas construídas com pedras das minas da Urgeiriça -, o líder comunista admitiu que eleger Miguel Tiago, que concorre por Viseu, é uma “batalha difícil”. “Nós nunca perdemos a perspectiva de que um dia é possível eleger… Já tem acontecido noutros locais”, disse.

A seguir, fez uma pequena viagem de comboio entre Canas e o apeadeiro da Lapa do Lobo. Além da falta de comboios suficientes, a comissão de utentes queria mostrar-lhe como é difícil à população usar as carruagens. Quando pára na Lapa do Lobo, o comboio fica todo inclinado para a direita e os passageiros têm que dar um salto de meio metro para o cais de cascalho. O problema não é por ser para a direita, mas por já ter provocado a queda de muita gente e impossibilitar o uso de cadeiras de rodas ou carrinhos de bebé.

Carlos Carreiras (que nada tem a ver com o homónimo do PSD, da Câmara de Cascais) começou por ser só um activista dos direitos dos utentes do comboio. Em 2017, já foi o primeiro eleito da CDU na freguesia — e a coligação nem sequer costumava concorrer aqui, no meio do cavaquistão… Ontem não cabia em si de contente por ter ali, na Lapa do Lobo, pela primeira vez um secretário-geral do PCP.

Ainda antes do comício da noite, em Coimbra, Jerónimo de Sousa fez um pequeno comício em Aveiro onde disse que o PS se tem “embriagado” com as sondagens desta campanha eleitoral e que isso lhe tem dado para desvalorizar os que lhe deram apoio desde 2015 e para se aproximar da direita.

Quase parecia Paulo Portas, há uns anos, no Parlamento, a avisar a esquerda que, depois da bebedeira, vem sempre a ressaca.