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Agricultores “perplexos” com fim da carne de vaca na Universidade de Coimbra. Líder do PAN saúda medida

A Confederação dos Agricultores de Portugal lamenta a decisão “imponderada” e espera que alunos, professores e funcionários se manifestem contra. André Silva diz que é uma medida de “coragem”.

A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) manifestou esta terça-feira a sua “profunda perplexidade” perante a decisão da Universidade de Coimbra (UC) de eliminar a oferta de carne de vaca nas suas 14 cantinas.

Horas antes, o reitor da UC, Amílcar Falcão, tinha anunciado, entre outras medidas com vista à protecção ambiental, que a carne de vaca consumida nas cantinas da UC será substituída por “outros nutrientes que irão ser estudados”, de modo a “diminuir aquela que é a fonte de maior produção de CO2 que existe ao nível da produção de carne animal”.

Em reacção ao anúncio, e em comunicado, a CAP lamenta a decisão “imponderada” daquela instituição de ensino superior e diz esperar que alunos, professores e funcionários manifestem a sua discordância perante uma medida que “não deve e não pode ser” tomada a pensar na “emergência climática”.

“A invocada emergência climática, desígnio que a todos convoca, não deve – não pode – servir de pretexto para a tomada de decisões infundadas, baseadas em alarmismos incompreensíveis. Esta decisão, tomada num contexto universitário, espaço de liberdade e de conhecimento, ainda causa maior perplexidade”, lê-se na missiva.

Segundo a CAP, esta “imposição” privará alunos, professores e funcionários de um elemento da dieta portuguesa e mediterrânica e constitui uma “limitação à sua liberdade de escolha”. Mais ainda, consideram os agricultores, a medida contribui para “confundir os portugueses, porque é alarmista e assenta em pressupostos infundados”. 

PAN: é uma medida de “coragem"

Por seu turno, o líder do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN), André Silva, saudou a retirada da carne de vaca das cantinas da Universidade de Coimbra. “É isto que defendemos, política com Coragem!”, escreveu na sua página do Facebook.

Entre as diversas medidas que estão a ser tomadas na UC, a instituição decidiu ainda implementar uma “política rigorosa contra o desperdício alimentar” e estabelecer como meta tornar-se em 2030 na “primeira universidade portuguesa neutra em carbono”