As “imagens-hipótese” do português que a Paris Photo distinguiu

©Fernando Marante
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Quem observa as imagens de Fernando Marante, o mais recente português premiado pela Paris Photo, poderá ter dificuldade em perceber o que estava diante da sua objectiva no momento do disparo. Em entrevista ao P3, o fotógrafo parece discordar. "Eu diria que todas as minhas imagens têm uma referência bem real no mundo e não têm nada de abstracto." E explica porquê. "Poderíamos dizer que não existem fotografias abstractas, uma vez que a própria natureza técnica da fotografia nos obriga a captar a imagem de alguma coisa que existe no mundo físico." A questão que pretende levantar é precisamente essa: "Afinal é o quê, esta forma que vemos nesta imagem?"

O que é uma coisa? é, sem surpresa, o nome da série premiada. Toma como ponto de partida que não existem fotografias abstractas. "Sabemos que estamos perante a representação de uma coisa, mas a imagem é ambivalente acerca dela", refere na sinopse do projecto que enviou ao P3. "Estas imagens têm uma relação perturbada com os códigos e com a sua aparência. São imagens-hipótese, uma acumulação de movimento e duração, sintetizada pelo olho mecânico da câmara fotográfica, que existem apenas como uma possibilidade teórica no mundo dos objectos."

As imagens do projecto — que estarão, entre 19 de Setembro e 26 de Outubro, em exposição na galeria Módulo, em Lisboa — devem, segundo o autor, "bastar-se a si próprias". "Que é como quem diz devem ser capazes de relacionar-se com o olhar do espectador sem precisarem de leitura." Embora, admita, "uma contextualização as possa tornar mais interessantes". Fernando vê nas suas imagens o reflexo das primeiras décadas de fotografia, "de que se pode citar Man Ray". Ou lembrar um dos seus heróis, Étienne-Jules Marey.

O fotógrafo, natural de Matosinhos e residente em Lisboa, diz-se "honrado" com o prémio atribuido pela Paris Photo. "Todas as selecções são motivadoras e fornecem uma validação que é importante para continuarmos a trabalhar", justifica. Depois de uma passagem, em Outubro, pela Drawing Room, em Lisboa, o projecto viaja para Paris: a partir de Outubro na Gare du Nord e, de 6 a 10 de Novembro, no Grand Palais.

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