“A melhor forma de desvendar a arquitectura é visitá-la”

Open House Lisboa 2019 apresenta 50 espaços fora do centro da capital e pretende incluir todas as pessoas nas discussões sobre arquitectura.

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Daniel Rocha
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A Igreja de Santa Isabel, próxima do Largo do Rato, em Lisboa, é um dos locais escolhidos para integrar o roteiro do Open House Lisboa 2019. Apesar de imponente, a igreja paroquial – uma construção pombalina de estilo neoclássico – está resguardada da maioria dos olhares das pessoas que passeiam pela capital. O mesmo se passa com outros espaços que integram o programa – uma oficina de conservação de obras de arte perto do Jardim das Amoreiras ou um ateliê no topo de um edifício com vista sobre a cidade são alguns exemplos.

O roteiro da oitava edição do Open House Lisboa (OHL) abrange 50 espaços fora do centro de Lisboa e foi desenhado pela arquitecta Patrícia Robalo. As visitas são gratuitas, acompanhadas por especialistas e decorrem nos dias 21 e 22 de Setembro. “Teremos, além disso, momentos especiais de programação. As pessoas poderão ir à Igreja de Santa Isabel assistir a um concerto, ou percorrer a rede de metropolitano através de uma performance de leitura”, explica ao PÚBLICO Patrícia Robalo, comissária do OHL 2019.

Na apresentação do OHL 2019, a organização percorreu a pé, com os jornalistas, quatro locais na zona de Campo de Ourique. O primeiro foi a Casa em Campo de Ourique, desenhada pelo escritório Camarim Arquitectos. Seguiram-se a Igreja de Santa Isabel, que inclui um novo tecto projectado pelo pintor Michael Biberstein, a oficina SalvArte e o Ateliê no Bloco das Águas Livres.

A oficina SalvArte, situada em frente ao Jardim das Amoreiras, é um desses espaços de trabalho “fechados e escondidos” que será possível visitar durante o OHL 2019, lembra Ana Jara, fundadora da Artéria, ateliê que desenhou a oficina. A SalvArte faz a conservação de desenhos, gravuras, pergaminhos, biombos e de outros objectos, utilizando técnicas artesanais.

O Ateliê no Bloco das Águas Livres está situado no topo de um edifício de habitação e serviços com nove andares. A última intervenção sobre o espaço do ateliê, da autoria da arquitecta Teresa Nunes da Ponte, pretende valorizar a vista sobre Lisboa. O espaço possui duas varandas que criam um eixo entre as paisagens este e oeste da cidade.

Iniciativa inclusiva

“A melhor forma de desvendar a arquitectura é visitá-la. Percorrer a cidade é a forma mais completa de se reconhecer a arquitectura e de sentir o seu potencial e a sua natureza”, observa João Mateus, presidente da Trienal de Arquitectura (TAL) de Lisboa.

O OHL é organizado pela TAL em conjunto com a Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC). Integra a rede internacional Open House Worldwide, que liga 45 cidades no mundo inteiro. Na capital portuguesa, surgiu em 2012, a partir do conceito originalmente criado em Londres, em 1992.

Joana Gomes Cardoso, presidente da EGEAC, em declarações ao PÚBLICO, destaca o carácter inclusivo e democrático da iniciativa. “Não é preciso ter qualquer grau de instrução para poder acompanhar esta programação. Até uma criança pode perfeitamente visitar e aprender com estas visitas”. O OHL oferece ainda um conjunto de visitas adequadas a pessoas cegas, surdas ou com deficiência intelectual.

Texto editado por Ana Fernandes