Rangel mostra-se “esperançado” em que situação do PSD se reverta

Eurodeputado reuniu num almoço-conferência figuras do PSD actual e do passado, mas não quis fazer qualquer leitura política da iniciativa.

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Paulo Rangel (PSD) Rui Gaudencio

O eurodeputado do PSD Paulo Rangel reuniu, num almoço-conferência, figuras da direcção do partido, antigos governantes, mas também críticos de Rui Rio e o comentador e ex-líder Marques Mendes. Na intervenção, falou apenas sobre a situação da Europa e sobre as preocupações em torno do Brexit. Só no final, em resposta aos jornalistas, se referiu ao momento pré-eleitoral para elogiar Rui Rio nas recentes prestações televisivas.

“Estou esperançado de que possamos reverter a situação e tudo farei para isso também”, disse Paulo Rangel, depois de questionado sobre se o PSD ainda vai a tempo de inverter a tendência demonstrada pelas sondagens. O eurodeputado revelou ainda não saber em que acções de campanha participará, mas assegurou que estará presente em iniciativas locais e nacionais.

A entrevista de Rui Rio à TVI, na terça-feira, e o debate de ontem à noite com Assunção Cristas, vieram dar ânimo ao partido. Paulo Rangel confirma isso mesmo: “O PSD e em particular o seu líder, nestes últimos debates de início de pré-campanha, tem estado muito bem, tem mostrado que o PSD é alternativa ao PS”.

No almoço-conferência do International Club de Portugal compareceram figuras ligadas à direcção do PSD como o vice-presidente Nuno Morais Sarmento, mas também outros sociais-democratas que apoiaram Rui Rio como o antigo líder da JSD Pedro Rodrigues (apoiante de Rangel na candidatura à liderança do PSD em 2009) e ex-governantes como Luís Mira Amaral e José Luís Arnaut. Na mesa de honra, estava ainda um potencial candidato à sucessão de Rui Rio – Miguel Pinto Luz – e o comentador televisivo José Miguel Júdice (que já foi militante social-democrata). Paulo Rangel rejeitou fazer qualquer leitura política dos que aceitaram o convite em comparecer na iniciativa, referindo que “são pessoas preocupadas com a situação europeia”. Questionado sobre se é uma voz importante no PSD, Paulo Rangel desvalorizou e disse ver a presença das pessoas como “natural”: “Alguns vêm por amizade, outros por interesse”.

Na sua intervenção, o eurodeputado considerou que “a principal falha” de Portugal no processo do Brexit é não ter sabido colocar-se no “clube Atlântico” para, em conjunto com outros países, assumir uma posição comum para se preparar para a saída do Reino Unido da União Europeia. Rangel defendeu que Portugal deve ter uma “política multilateral” na União Europa para não correr o risco de se apagar numa “integração ibérica”. Já no período de respostas às perguntas dos convidados, o eurodeputado e vice-presidente do Partido Popular Europeu esclareceu não ter “nenhum sentimento anti-espanhol”. Mas antes deixou a sua definição de Portugal: “É uma ilha rodeada de Mar e de Espanha por todos os lados”.