Para os estrangeiros, Portugal tem a melhor qualidade de vida da Europa

Um inquérito realizado pela comunidade online InterNations mostra que Portugal está bem colocado no que diz respeito aos piores e melhores destinos para viver e trabalhar em 2019, quando se é um residente estrangeiro.

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Jose Sarmento Matos

Todo (ou quase todo) o estrangeiro que visita Portugal diz apreciar a gastronomia, o clima e a simpatia dos portugueses, mas aqueles que vêm para ficar parecem valorizar outros aspectos. Foram precisamente alguns destes pontos, como a “melhor qualidade de vida do mundo”, o “baixo custo de vida” e a “facilidade de integração”, que deram a Portugal o “prémio” de melhor destino europeu para expatriados — em termos mundiais, o país sobe ao pódio pela primeira vez e leva o bronze para casa, ficando só atrás de Taiwan e do Vietname.

Estes são alguns dos dados revelados por um inquérito — o Expat Insider 2019 — realizado pela InterNations, uma comunidade online que agrega residentes estrangeiros (“com poder de compra e qualificações elevadas”) nos cinco continentes e que, este ano, contou com a resposta de mais de 20 mil pessoas de 182 nacionalidades e que vivem em 187 países ou territórios de um país.

Com base nestes dados, a InterNations revelou o ranking dos piores e melhores destinos para viver e trabalhar enquanto expatriado. Os participantes foram convidados a avaliar até 48 aspectos da sua vida, numa escala de um a sete. O processo de classificação enfatizou a satisfação pessoal dos entrevistados e conjugou tanto aspectos emocionais como pontos mais factuais. No fim, o relatório teve em conta seis grandes tópicos como a qualidade de vida, a facilidade em se estabelecer, o trabalho num país estrangeiro, a vida familiar, as finanças pessoais e o custo de vida e quase 20 subtópicos como a vida digital, a facilidade em fazer amigos, os custos da educação, a língua ou as perspectivas e satisfação na carreira.

Portugal ocupa o terceiro lugar na lista de melhores países para viver e trabalhar em 2019 que este ano incluiu 64 países, uma subida de 38 lugares em relação em 2014. Segundo o relatório, a maior subida neste indicador deu-se entre 2016 e 2017, quando Portugal passou da vigésima oitava posição para a quinta posição. Desde esse ano, o país tem vindo a aproximar-se gradualmente dos primeiros lugares da tabela.

Segundo o relatório da InterNations, os expatriados a residir em Portugal estão particularmente satisfeitos com a “excelente qualidade de vida” ou com o “estilo de vida descontraído”. “É um dos melhores países do mundo para actividades de lazer: mais de quatro em cada cinco estrangeiros (83%) estão satisfeitos com a socialização e actividades de lazer disponíveis (comparando com 65% em termos globais) e quase todos (95%) classificam de forma positiva o clima do país”, relata o estudo.

Para além disso, Portugal está, pela terceira vez consecutiva, no top 5 de destinos de fácil integração para estrangeiros, em quarto lugar. Dentro deste tópico, o país aparece no primeiro lugar da subcategoria “sentir-se em casa”, com 83% dos inquiridos a acharem fácil estabelecer-se no país (em comparação com 59% em termos globais). Para esta pontuação, ajuda o facto de 91% dos residentes estrangeiros considerarem os portugueses “geralmente amigáveis”.

No entanto, nem tudo são pontos positivos a favor de Portugal. Apesar de o país assegurar também um lugar no top 10 de países na categoria custo de vida — conquistámos o 8.º lugar neste tópico —, está muito longe dos primeiros lugares no que toca a trabalhar no estrangeiro. Os expatriados parecem estar insatisfeitos com as suas perspectivas de carreira (Portugal ocupou, no relatório deste ano, a posição 44 em 64) e com a economia e segurança do trabalho (lugar 35 em 64). Apenas 29% dos inquiridos classificam estes factores positivamente, mas, mesmo assim, Portugal está acima da média global — só 24% dos cidadãos estrangeiros globais estão satisfeitos com as suas perspectivas de carreira.

Acima de Portugal só Taiwan e Vietname

Portugal conquistou o primeiro lugar europeu e só Taiwan e Vietname o separam do primeiro lugar mundial: estes dois países atraem expatriados pela facilidade de integração e boas finanças pessoais. Os estrangeiros em Taiwan estão também extremamente satisfeitos com a sua qualidade de vida, mas como pontos positivos destacam igualmente os custos dos cuidados de saúde, que consideram acessíveis, bem como a qualidade dos mesmos e a segurança pessoal. Para além disso, 78% dos inquiridos afirmam que é fácil assentar no país.

No Vietname, os expatriados apreciam a sua “óptima vida profissional”, as suas perspectivas de carreira e, de forma, geral, os seus empregos. O Vietname não só é o país com melhor classificação quando se trata de trabalhar no estrangeiro, como é também o melhor destino para a categoria de finanças pessoais​. 

No outro extremo do ranking, o Kuwait (64.º em 64), Itália e Nigéria são os piores destinos para expatriados em 2019. O Kuwait é o país onde os cidadãos estrangeiros têm mais dificuldade em se integrar, já a Itália oferece a pior vida profissional e a Nigéria a pior qualidade de vida do mundo.

Quem são os expatriados a residir em Portugal?

Segundo as informações disponibilizadas ao PÚBLICO pela InterNations, existem mais de 35 mil expatriados a viver em Portugal, com grande parte a distribuir-se por três grande comunidades: Lisboa (cerca de 23 mil membros), Porto (mais 7 mil membros) e Cascais (aproximadamente 4 mil membros).

A residir em território português estão cidadãos de mais de 100 nacionalidades, mas o país é mais apelativo para brasileiros, britânicos, franceses, norte-americanos e alemães. 

Em média, estes cidadãos têm 51 anos, 57% são mulheres e 43% homens e 67% estão numa relação, enquanto os restantes 33% dizem ser solteiros — alguns inquiridos (cerca de 15%) estão a criar os seus filhos em Portugal. 

No que toca às suas carreiras, os expatriados a residir em Portugal são licenciados (39%) ou doutorados (7%), e aqueles que trabalham a tempo inteiro (são apenas 29%) têm um horário laboral de cerca de 40 horas semanais — 14% trabalham em part time e 11% estão à procura de trabalho.

Quanto à razão para se terem instalado em Portugal, os expatriados dizem que vieram à procura de uma melhor qualidade de vida (24%), alguns quiseram reformar-se noutro país (15%) e cerca de 10% afirmam que se mudaram por amor.

A InterNations tem hoje mais de 3,6 milhões de utilizadores, organizados por 420 comunidades em todo o mundo. Além de rede social, é também a entidade que a muitos fornece informação prática, tanto online como presencial, para se estabeleceram numa nova cidade.