3-0, 3-3, 4-3 (com autogolo): tudo aconteceu no Juventus-Nápoles

A boa primeira parte da Juventus foi premiada, mas o Nápoles mostrou que, neste ano, há Liga italiana “para todos”.

Ronaldo regressou aos golos
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Ronaldo regressou aos golos Reuters/MASSIMO PINCA

Grandes finalizações, jogadas bonitas, muitas transições, recuperação hercúlea no resultado e autogolo decisivo no último minuto. O Juventus-Nápoles teve tudo e mostrou que a Liga italiana, este ano, terá muito para contar. Em Turim, acabou por ser mais decisiva a grande primeira parte da “juve” do que a excelente reacção dos napolitanos na segunda e a equipa de Ronaldo venceu por 4-3, neste sábado, em duelo da segunda jornada da Série A.

O jogo começou com uma oportunidade para cada lado. Ronaldo – que jogou na frente, no 4x4x2 de Sarri – recebeu na meia esquerda e rematou de pé esquerdo, para defesa de Meret, antes de Allan rematar de fora da área, para uma grande defesa de Szczesny.

Aos 16 minutos, o ex-FC Porto Danilo, em estreia, acabado de entrar para o lugar do lesionado De Siglio, lançou um contra-ataque após um canto, Douglas Costa conduziu e foi o mesmo Danilo que, servido pelo compatriota, finalizou no lado oposto do campo. Dois toques na bola e um golo na estreia pela nova equipa. Provavelmente, algo inédito no futebol mundial por parte do ex-portista.

O aparente equilíbrio de forças, no início da partida, era pura ilusão. A primeira parte mostrou uma Juventus semelhante à que tinha surgido no início do desafio frente ao Parma, na primeira jornada: princípios claros do estilo habitual de Maurizio Sarri, nomeadamente na capacidade de fazer triangulações curtas, procurando superioridade no corredor lateral, para atrair o adversário e, depois, explorar o lado oposto.

Foi assim aos 19 minutos, com a Juventus a construir em todo o campo: Higuaín começou a jogada – que deu a volta ao campo, sempre nos pés da “juve” –, Ronaldo combinou com Alex Sandro, que o repetiu com Matuidi. O francês serviu Higuaín, que rodou sobre Koulibaly e finalizou, com um “míssil”, a jogada que tinha iniciado já muitos segundos antes.

Aos 30’, Alex Sandro e Ronaldo voltaram a triangular com Matuidi, que descobriu Higuaín, que por sua vez descobriu Khedira, que rematou para uma grande defesa de Meret.

Ora à esquerda, entre Alex Sandro, Ronaldo e Matuidi, ora à direita, entre Danilo, Douglas Costa e Khedira – com Pjanic a ajudar de ambos os lados –, a Juventus foi criando jogadas de grande qualidade. E Khedira ainda rematou à trave, aos 33 minutos.

Na segunda parte, houve uma Juventus com o bloco muito baixo, a deixar o Nápoles circundar a área, esperando que um contra-ataque permitisse sentenciar o jogo.

Aos 61 minutos, a Juventus quis surpreender o Nápoles com um momento repentino de pressão alta e recuperou a bola em zona adiantada. Matuidi serviu Douglas Cosa, que assistiu Ronaldo, e o português não falhou, de pé esquerdo. Foram as “pazes” de Ronaldo com as balizas, depois da tarde de desperdício frente ao Parma.

Num ápice, o Nápoles reduziu, aos 66 minutos, com Manolas a cabecear um cruzamento de Mário Rui (entrou ao intervalo), e amedrontou a Juventus dois minutos depois, com Lozano a finalizar um cruzamento de Zielinski.

A Juventus ainda aguentou alguns minutos, sempre subjugada, mas, aos 80 minutos, Di Lorenzo subiu à área contrária, num livre directo, e marcou nas costas de de Ligt, após cruzamento de Callejón. Juventus deitada ao “tapete” e Nápoles milagroso ditavam o 3-3 final. Até que Koulibaly decidiu mudar o guião, com um autogolo aos 90+2’.

A boa primeira parte da Juventus foi premiada, mas o Nápoles mostrou que, neste ano, há Liga italiana “para todos”.