Centro de Excelência na área agro-alimentar avança na antiga Estação Zootécnica de Santarém

Quatro anos depois da apresentação da candidatura, iniciativa foi aprovada e serão investidos 5,2 milhões de euros para adaptar o edifício a novas valências

O novo centro de investigação poderá fazer serviços para as empresas da região
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O novo centro de investigação poderá fazer serviços para as empresas da região Daniel Rocha

A antiga Estação Zootécnica Nacional de Santarém vai evoluir para “Centro de Excelência para a Agricultura e a Agro-indústria (CEAAI)”, de acordo com um projecto agora aprovado pelo Programa Operacional do Alentejo 2020. A iniciativa envolve um investimento global de 5, 2 milhões de euros no complexo actualmente gerido pelo Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV). De acordo com um protocolo assinado entre a Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo e o INIAV, o projecto contempla “a recuperação, capacitação e expansão da Estação Zootécnica Nacional”, criando condições para “a valorização e transferência de tecnologia para os sectores agro-pecuário e agro-industrial, de forma a reunir conhecimentos e competências especializadas, alojar empresas inovadoras e dinamizar eventos de divulgação”. Deverá, ainda, dotar este CEAAI de “mais e melhores valências e competências no suporte tecnológico e laboratorial” e no apoio ao desenvolvimento e às exportações.

Instalada na Quinta da Fonte Boa, nos arredores de Santarém, desde Julho de 1913, sucedendo à antiga Coudelaria Nacional que ali funcionou, a Estação Zootécnica Nacional (EZN) chegou a empregar mais de 700 trabalhadores. Nas últimas décadas atravessou, no entanto, vários problemas ligados à falta de investimento na renovação de instalações e equipamentos. Ocupa uma área de 240 hectares, situada próximo do Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (CNEMA) e está vocacionada para a investigação; para o desenvolvimento, transmissão e difusão do saber de natureza profissional e para a prestação de serviços técnicos à agricultura, agro-pecuária e agro-indústria.

Na década passada, no âmbito da elaboração do seu Plano Territorial Integrado Lezíria 2020, a CIMLT identificou como uma das fraquezas desta sub-região “a insuficiente rede de infraestruturas de investigação e desenvolvimento e de centros tecnológicos” e como uma das suas principais oportunidades “o alargamento das cadeias de valor da agricultura, à agro-indústria e às indústrias alimentares e a aposta no reforço das infra-estruturas tecnológicas actuais”.

Nesse sentido, surgiu o projecto de desenvolvimento deste Centro de Excelência para a Agricultura e a Agro-indústria (CEAAI). Em Dezembro de 2014 foi assinado um Memorando de Entendimento para a criação do CEAAI, que envolveu a Comunidade Intermunicipal da Lezíria Tejo, a Câmara e o Politécnico de Santarém, a Associação Empresarial da Região de Santarém (Nersant), o Agro-cluster do Ribatejo, as universidades de Lisboa e de Évora e o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV). Estas mesmas entidades assinaram, em Abril de 2015, um protocolo de cooperação que estabelece os objectivos de referência para o CEAAI. Mas o processo de candidatura a apoios comunitários revelou-se demorado e só agora, quatro anos depois, é que o projecto foi definitivamente aprovado pelo Programa Operacional (PO) do Alentejo, no qual a Lezíria está integrada, para efeitos de acesso a fundos comunitários, com um financiamento de 5, 2 milhões de euros.

Investigação à medida

O projecto pretende aproveitar e renovar toda a estrutura e competências acumuladas na antiga Estação Zootécnica Nacional (EZN). “A EZN, pelas suas caraterísticas, foi considerada como o local mais adequado para acolher uma estrutura desta natureza. A resposta que se pretende às necessidades do sector produtivo no âmbito dos objectivos do CEAAI é possível devido às condições únicas que reúne, concentrando infraestruturas de experimentação animal (instalações para animais, unidade de engorda de bovinos, matadouro experimental, unidade de fabrico de alimentos compostos, câmaras bioclimatológicas, cirurgia experimental), laboratórios (nutrição e alimentação, qualidade e segurança dos produtos, biotecnologias reprodutivas, genética molecular), e ainda um Centro de Documentação e Informação (3 anfiteatros, salas de reuniões e biblioteca)”, sublinha uma nota conjunta da CIMLT e do INIAV.

O CEAAI tem como objetivo fomentar a investigação e o desenvolvimento tecnológico nos sectores agro-pecuário, agro-alimentar e agrícola e valorizar a transferência de avanços cientifico-tecnológicos, maximizando a colaboração entre entidades públicas e privadas. De acordo com os promotores, um dos principais eixos de intervenção do CEAAI “relacionar-se-á com a investigação à medida, dedicada ao serviço exclusivo para cada empresa, com foco nas pequenas e médias empresas, com recursos reduzidos para o desenvolvimento de novos produtos”.