Bayern tropeçou e Barcelona estatelou-se no arranque da Liga

“Bis” de Lewandowski foi insuficiente para garantir triunfo ao campeão alemão. Em Espanha, o Barcelona encontrou os postes num par de vezes, mas sucumbiu ao talento sem idade de Aduriz.

O momento do remate acrobático de Aduriz
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O momento do remate acrobático de Aduriz Reuters/VINCENT WEST

De uma assentada só, e com meia hora de diferença, arrancaram nesta sexta-feira as edições 2019-20 da Bundesliga e da Liga espanhola. E a data do pontapé de saída não foi o único ponto em comum entre os dois campeonatos: em ambos os casos, o campeão em título marcou passo. O Bayern Munique até começou melhor mas teve de contentar-se com um empate, ainda assim um resultado mais favorável que o do Barcelona, que caiu a dois minutos do fim em Bilbau, vítima do inesgotável Aduriz.

Foi sem Lionel Messi, que continua a recuperar de uma lesão sofrida na pré-época, e com Rakitic e Busquets no banco que o campeão espanhol se fez à estrada no campeonato. Num jogo de risco controlado, o tridente ofensivo catalão era constituído por Dembélé, Griezmann e Suárez, tendo a escolha de Ernesto Valverde para a posição seis recaído no reforço Frenkie de Jong. Num Estádio San Mamés preenchido, o avançado uruguaio acertou no poste aos 33’, poucos minutos antes de se lesionar. Saiu Suárez entrou Rafinha e o brasileiro imitou-lhe os passos: aos 42’, arrancou um grande remate de pé esquerdo de fora da área e viu a bola ser devolvida pela trave.

Com mais bola, a comandar em posse (terminou com 72%), o Barcelona tentava desposicionar um Athletic Bilbau que, organizado no seu 4x2x3x1, fazia das constantes trocas posicionais de Raul García, Muniaín  e Iñaki Williams a sua imagem de marca no ataque. Ao intervalo o Barça já tinha lançado Rakitic, acelerando o jogo das substituições, mas seria uma alteração operada por Gaizka Garitano a decidir a partida. 

Aos 88’, Williams saiu para dar lugar a Aritz Aduriz. E um minuto depois assistiu-se a um momento sublime. Na sequência de um lançamento lateral, a bola chegou ao corredor direito dos bilbaínos e daí saiu um cruzamento para a área. Aduriz, no sítio certo e com o instinto finalizador que o notabilizou, desferiu um pontapé acrobático fazendo a bola entrar no poste mais distante da baliza de Ter Stegen. Aos 38 anos (sim, 38), o avançado nascido em San Sebastián e 13 vezes internacional espanhol pode já não aguentar 90 minutos, mas provou nesta sexta-feira que poderá continuar a ser útil ao clube ao qual voltou em 2012.  

O Barcelona, que já não foi a tempo de reagir, não perdia há 10 épocas consecutivas na jornada inaugural, mas caiu desta vez, vendo Aduriz tornar-se no jogador mais velho a apontar-lhe um golo em toda a história da Liga espanhola. O líder dessa lista muito particular continua a ser o mítico Di Stéfano (39 anos).

Lewandowski a abrir e a fechar

Infeliz, mas não tanto como os “blaugrana”, foram os campeões alemães, que por este andar continuarão a assistir à contestação, que já começou na época passada, ao trabalho do treinador, Niko Kovac. Tudo porque a equipa voltou a deixar-se surpreender, desta vez pelo Hertha Berlim.

No Allianz Arena, foi ainda sem o recente reforço Ivan Perisic entre os convocados que o Bayern se apresentou ao campeonato, diante de um Hertha que tem no extremo belga Dodi Lukebakio a sua nova coqueluche (foi contratado ao Watford por 20 milhões de euros). E a missão até parecia facilitada quando, aos 24’, Lewandowski iniciou a meio-campo e concluiu uma jogada que contou com assistência de Gnabry.

Os bávaros, que nesta época perseguem o oitavo título consecutivo, deixaram-se enredar na teia berlinense e, em três minutos apenas, permitiram a reviravolta. Lukebakio (36’) e o sérvio Marko Grujic (39’) activaram os alarmes na Baviera, colocando a nu as fragilidades defensivas de uma equipa que, no eixo do sector, tem alternado entre Pavard (onte titular) e Boateng.

A jogar em 3x4x1x2, com Duda nas costas de Lukebakio e Ibisevic, o Hertha ia causando problemas, mas o Bayern revelou maior autoridade no segundo tempo e continuou a ser um cliente assíduo da área adversária. Depois de já terem reclamado dois penáltis na primeira parte, os anfitriões viram mesmo o árbitro apontar para a marca dos 11 metros, na sequência de um agarrão ostensivo a Lewandowski, na área. O polaco tomou conta da ocorrência e bisou na partida, aos 60’.

Ainda havia tempo para procurar o triunfo, mas faltou engenho a uma equipa à qual se aponta, depois das saídas de nomes como Ribéry ou Robben, alguma falta de talento individual. Mas o mercado continua aberto até 2 de Setembro.