Onze famílias de bairro precário de Loures vão ser realojadas

Dos 71 agregados identificados a habitar no Bairro da Torre no final de 2016, 37 foram já realojados.

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Rui Gaudencio

Onze famílias do bairro da Torre, no concelho de Loures, vão ser realojadas no âmbito de um protocolo assinado entre a autarquia e o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), foi anunciado nesta quinta-feira.

O bairro da Torre, situado na vila de Camarate, em terrenos contíguos ao Aeroporto Militar de Figo Maduro e ao Aeroporto de Lisboa, é constituído por habitações abarracadas, onde residem 34 famílias.

“O protocolo que assinamos tem a vista garantir uma solução habitacional a 11 agregados familiares, realojando-os em habitações disponibilizadas pelo IHRU, que se encontram devolutas e em condições” de habitabilidade, disse à agência Lusa o adjunto do presidente da Câmara Municipal de Loures para a área social, Nuno Abreu.

O responsável municipal explicou que, para concretizar o realojamento das famílias, ainda sem uma data definida, serão utilizadas habitações sociais,” distribuídas por diversos bairros sociais na Área Metropolitana de Lisboa” e que estão sob a posse do IHRU.

Relativamente ao realojamento das restantes famílias, Nuno Abreu referiu que terão de ser encontradas outras alternativas, ressalvando que o objectivo é erradicar o bairro da Torre.

“É urgente erradicar o bairro da Torre e garantir uma habitação digna para todas aquelas famílias, sendo para isso fundamental a participação da administração central, pois os recursos municipais, por si só, não são suficientes para resolver toda esta situação”, apontou.

No entanto, Nuno Abreu ressalvou que as casas abarracadas do bairro “têm vindo a diminuir ao longo do tempo, através de progressivos realojamentos, em casas de bairros camarários, sempre acompanhados pelas demolições das construções devolutas e limpeza do terreno”.

“Dos 71 agregados identificados no final de 2016, 37 foram já realojados, naquele que tem sido um grande esforço municipal para a resolução daquele núcleo de habitações precárias”, sublinhou.

No âmbito deste protocolo, a Câmara Municipal de Loures ficará responsável por realizar os atendimentos sociais das famílias, de as informar da solução habitacional e dos documentos necessários, bem como de articular com o IHRU o seu encaminhamento para a respectiva habitação.

A luz do bairro da Torre foi cortada em Outubro de 2016 e nunca foi restabelecida.

Na altura, fonte da EDP -- Energias de Portugal explicou que a empresa de distribuição e comercialização de electricidade “desfez algumas ligações eléctricas ilegais em habitações ilegais”, uma vez que “podiam colocar em causa a segurança das pessoas e bens”.

Segundo a resposta enviada então à Lusa, a acção foi efectuada com o conhecimento da Câmara Municipal de Loures e a EDP não “desligou ou desfez ligações a clientes que tinham ou têm contratos activos com qualquer comercializador”.

A autarquia chegou a disponibilizar geradores de energia, mas dois meses depois, em Fevereiro de 2017, os moradores manifestaram a sua incapacidade financeira para suportar os custos com o gasóleo e pediu que fossem retirados.