Um Verão de recordes na Premier League

Não houve dinheiro inglês para gastar em Bruno Fernandes, mas gastaram-se mais de 1,5 mil milhões de euros em jogadores no mercado estival entre os clubes da Premier League, que começa nesta sexta-feira.

Harry Maguire
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Maguire Reuters/Ed Sykes

Até ver, Bruno Fernandes vai continuar no Sporting. Se é por mais uns dias, por mais uns meses ou por mais uma temporada, ainda não se sabe, mas já é certo que o capitão “leonino” não vai para a Premier League inglesa nesta janela de Verão do mercado de transferências. Muito se falou de propostas e contrapropostas de clubes como o Tottenham e o Manchester United, mas a verdade é que o futebol inglês fechou para entradas e nem “spurs” nem “red devils” fizeram uma oferta que fosse ao encontro do preço estabelecido por Frederico Varandas – 70 milhões de euros.

Talvez essa oferta que o presidente “leonino” pretende venha de outro dos “Big-5”, como a Liga francesa, a Série A italiana, a Bundesliga alemã ou a Liga espanhola, mas, para já, só existem rumores de que Real Madrid e PSG estariam eventualmente interessados. O que parece certo é que Bruno Fernandes irá estar, pelo menos, na primeira jornada do campeonato, em que o Sporting defronta o Marítimo, no Funchal, no próximo domingo. Depois disso, têm a palavra os clubes com capacidade financeira para chegar aos 70 milhões e, se não aparecer ninguém, será a melhor notícia desportiva que o Sporting podia ter neste defeso.

Pode não ter havido ninguém na Premier League disposto a dar os tais 70 milhões pelo capitão “leonino”, mas gastou-se muito nesta janela estival entre as 20 equipas da Liga mais endinheirada do mundo (que começa já nesta sexta-feira, com um Liverpool-Norwich, às 20h), estabelecendo-se um novo recorde: 1,5 mil milhões de euros, acima dos 1,4 mil milhões no Verão de 2017. O Manchester City, campeão em título, foi quem mais gastou nesta janela, num total de 167 milhões, grande parte deles dividido por dois jogadores, o médio espanhol Rodri (ex-Atlético de Madrid, 70 milhões) e o lateral português João Cancelo (ex-Juventus, um negócio avaliado em 65 milhões que incluiu a ida de Danilo para Turim).

Não muito longe do Etihad, o Manchester United também dividiu os seus milhões neste defeso por poucos jogadores. Foi em Old Trafford que se fez a maior contratação do Verão na Premier League, com o United a pagar ao Leicester City 87 milhões pelo defesa internacional inglês Harry Maguire, gastando ainda 55 milhões em outro defesa, o jovem Aaron Bissaka. Em termos de vendas, os “red devils” conseguiram despachar o belga Romelu Lukaku para o Inter Milão por 79 milhões, duas épocas depois de o terem ido buscar ao Everton por uma verba próxima dos 90 milhões (e Wayne Rooney).

Quem não se preocupou nada com o mercado de Verão foi o Liverpool, vice-campeão inglês e vencedor da Liga dos Campeões. A única despesa que Jurgen Klopp fez foram uns insignificantes (para os padrões da Premier League) 1,9 milhões por um jovem central holandês de 17 anos, Sepp van den Berg (ex-PEC Zwolle), aproveitando o mercado para fazer algum dinheiro com os seus suplentes – vendeu Ings ao Southampton por 22 milhões e Mignolet ao Brugge por sete milhões.

Entre os clubes de topo, o Chelsea ainda conseguiu contratar Mateo Kovacic ao Real Madrid por 45 milhões (depois de uma época de empréstimo) e já tinha assegurado Pulisic antes de ser penalizado com um castigo que impede o clube de inscrever jogadores. Sem grande margem de manobra, o novo técnico Frank Lampard terá de contar com muitos jogadores que regressam de empréstimo. Ainda assim, foi o Chelsea quem conseguiu, para já, a maior venda do Verão na Premier League, encaixando 100 milhões com a saída de Eden Hazard para o Real Madrid

Ainda por Londres, o Tottenham pode não ter chegado ao que o Sporting queria por Bruno Fernandes, mas investiu forte em Ndombolé (ex-Lyon, 60 milhões) e em Ryan Sessegnon (ex-Swansea, 27 milhões), garantindo ainda o empréstimo de Giovanni Lo Celso, pagando 12 milhões ao Betis por um ano. Já o Arsenal, fechou a janela de transferências com o recrutamento de David Luiz ao Chelsea por 8,7 milhões, depois de já ter gasto 80 milhões no jovem avançado Nicolas Pépé (ex-Lille).