Antifascistas preparam mobilização contra reunião da extrema-direita

Grupo de associações juntou-se para pedir às autoridades que impeçam a reunião de organizações de extrema-direita da próxima semana. Antifascistas pedem a partidos que tomem uma posição.

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Enric Vives-Rubio

O local exacto ainda é secreto, tal como o da reunião de grupos de extrema-direita. Para já, está definido que será em Lisboa, no próximo dia 10 de Agosto, que antifascistas se irão juntar numa contramanifestação, protestando contra a conferência nacionalista marcada para o mesmo dia. O objectivo é “a proibição desta conferência e de qualquer evento neonazi no território português”, lê-se numa petição que contava esta sexta-feira com cerca de 900 assinaturas, poucas horas depois de ter sido disponibilizada.

A ideia de uma contramanifestação começou no núcleo de Braga e do Porto da Frente Unitária Antifascista. Este movimento produziu um manifesto que foi assinado por 18 associações nacionais e 21 organizações internacionais. Além disso, foi lançada entretanto uma petição a apelar aos partidos para que não fiquem calados perante o anúncio da reunião de organizações de extrema-direita. O movimento exige saber que “medidas pretendem tomar para que este tipo de acontecimento não se possa reproduzir”, lê-se no manifesto.

Não querem, no entanto, ficar por aqui. “[Queremos] do Governo e dos partidos uma intervenção para que estes grupos sejam ilegalizados, por respeito pela nossa Constituição e pelas nossas leis”, disse ao PÚBLICO um dos organizadores, Jonathan Ferreira da Costa.

O activista conta que o objectivo deste movimento, e da mobilização do dia 10, é a de “sensibilizar e consciencializar o povo português para o perigo que representam os movimentos de extrema-direita, dos quais alguns terroristas, que, actuando de modo mais underground, têm pouca visibilidade e isso dá uma falsa sensação de segurança”, considera.

Em causa está o facto de a tal “conferência nacionalista” contra a qual protestam, organizada pelo movimento de Mário Machado, Nova Ordem Social, contar ainda com elementos de outras organizações “de ideologia fascista e neonazi”, algumas delas sinalizadas, como os “grupos terroristas e neonazis Blood and Honour, Hammerskin ou ainda a Nova Ordem Social”, lê-se na petição.

Um dos convidados da conferência, o britânico Paul Anthony Golding, foi o primeiro condenado num tribunal britânico pelo crime de ódio racial, noticiou o Expresso. Outro dos oradores é um alemão que gravou um vídeo de promoção com a palavra “nazi” atrás e, por fim, é organizada por Mário Machado, condenado por vários crimes, incluindo o seu envolvimento no homicídio de Alcindo Monteiro, e por crimes de discriminação racial. De resto, uma das vezes em que foi preso isso deu-se à entrada para uma conferência desta índole, relembra o jornal.

Uma das associações que se juntaram à mobilização contra a conferência da extrema-direira é a SOS Racismo. “Não podemos ficar de braços cruzados a ver a extrema-direita, movimentos que têm as mãos sujas de sangue, que são violentos, antidemocráticos. É uma afronta à democracia”, diz ao PÚBLICO o dirigente da associação. Mamadou Ba.

“Não podemos, nem iremos aceitar a normalização deste discurso de ódio e dos ataques dos quais estes grupos são autores, permitindo a sua livre actuação e comprometendo assim a segurança dos nossos filhos e filhas, dos nossos amigos e amigas! Não podemos aceitar que tal evento aconteça sem uma reacção da parte de quem esteja pronto a defender a nossa democracia e a liberdade que com ela conquistámos”, lê-se na petição, que já foi entregue aos grupos parlamentares.

O Serviço de Informações de Segurança (SIS) fez saber em resposta à Lusa que está a acompanhar “muito de perto” as movimentações para a conferência nacionalista, o que para estes activistas não chega. Antes que esta iniciativa ocorra, os activistas pedem às autoridades que a impeçam, que não fiquem apenas “muito atentos”.

“É um desafio à autoridade do Estado. Esperamos que as autoridades actuem e que façam tudo para impedir [a conferência]. Estamos com fé que as autoridades actuem”, refere Mamadou Ba.

Para já, a conferência é considerada legal.