Homens armados atacam autocarro de passageiros e camião no centro de Moçambique

Autocarro de passageiros e camiões foram atacados a 200 km da Gorongosa, onde o Presidente da República e o líder da Renamo vão assinar acordo que põe fim às hostilidades. Grupo que contesta líder do partido da oposição recusa entregar armas.

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O camião ficou imobilizado e o autocarro conseguiu seguir viagem, mas foi atingido por balas Nelson Garrido/PÚBLICO/arquivo

Homens armados atacaram um autocarro de passageiros e um camião em Nhamapadza, província de Sofala, centro de Moçambique, na quarta-feira, ferindo o motorista e o ajudante de um dos veículos. O local do ataque localiza-se a 200 km do distrito de Gorongosa, onde o Presidente da República, Filipe Nyusi, e o líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição, Ossufo Momade, assinam esta quinta-feira o acordo de cessação das hostilidades militares.

O camião ficou imobilizado na sequência dos tiros e o autocarro conseguiu seguir viagem, mas foi atingido por balas, apresentando furos de projéteis nos lados, disseram à Lusa testemunhas. Os veículos alvejados naquela localidade do distrito de Marínguè seguiam na direção Nhamapadza - Gorongosa.

O troço onde ocorreu o ataque foi palco de ataques regulares a veículos durante os confrontos entre as Forças de Defesa e Segurança e o braço armado da Renamo, entre 2013 e 2015.

Um jornalista que vive na Beira, capital da província de Sofala, disse à Lusa que, na sequência do ataque ocorrido em Nhampadza, a tripulação de um autocarro de passageiros que devia ter viajado para a cidade de Quelimane, província da Zambézia, também na região centro, adiou a viagem por medo.

O ataque ocorreu algumas horas após o Presidente moçambicano ter anunciado no Parlamento que vai assinar esta quinta-feira o acordo de cessação das hostilidades militares com o líder da Renamo.

Nas últimas semanas, um grupo de guerrilheiros do braço armado do principal partido da oposição alertou o Governo para a continuação da instabilidade militar no país, caso assine o acordo de cessação das hostilidades militares com Ossufo Momade, exigindo a renúncia deste do cargo de presidente da Renamo.

O grupo avisou que não vai aceitar o processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração que se iniciou na segunda-feira enquanto Momade continuar presidente da Renamo.

No âmbito do diálogo entre o Governo moçambicano e a Renamo para uma paz duradoura, o principal partido da oposição entregou igualmente nomes de oficiais seus que nomeados para postos de comando nas Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM).

O atual processo negocial resultou igualmente na aprovação de um pacote legislativo de descentralização, que prevê a eleição de governadores das 10 províncias moçambicanas nas eleições gerais de 15 de outubro.

Antes dessa previsão legal, os governadores provinciais eram nomeados pelo chefe de Estado.

O Governo moçambicano e a Renamo já assinaram em 1992 um Acordo Geral de Paz, que pôs termo a 16 anos de guerra civil, mas que foi violado entre 2013 e 2014 por confrontos armados entre as duas partes, devido a diferendos relacionados com as eleições gerais.

Em 2014, as duas partes assinaram um outro acordo de cessação das hostilidades militares, que também voltou a ser violado até à declaração de tréguas por tempo indeterminado em 2016, mas sem um acordo formal.

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