Egan Bernal irrompeu em força pelo pódio do Tour

O primeiro colombiano a conquistar a prestigiada Volta à França é, ao mesmo tempo, o terceiro mais jovem de sempre a ganhar a prova.

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LUSA/YOAN VALAT

Henri Cornet, em 1904, com 19 anos, 11 meses e 19 dias, François Faber, em 1909, com 22 anos, seis meses e seis dias, e Egan Bernal, em 2019, com 22 anos, seis meses e 15 dias. É esta a nova composição do pódio dos mais jovens vencedores da Volta à França, depois de o colombiano da INEOS ter confirmado, em Paris, que é um dos valores seguros do ciclismo a seguir nos próximos anos.

Relativamente tímido, Bernal expressa-se mais facilmente em cima de uma bicicleta (a primeira vez que experimentou uma foi aos cinco anos de idade, em Zipaquirá) do que diante das câmaras. Ainda assim, cumpriu o ritual dos vencedores com a satisfação de quem atingiu uma façanha assinalável e a surpresa de quem partiu para o Tour como segunda linha da INEOS. Uma segunda linha forçada a dar um passo em frente face à lesão de Chris Froome no Critério do Dauphiné e ao menor andamento de Geraint Thomas.

“Não consigo acreditar. É absolutamente incrível. Não tenho palavras. Ainda não interiorizei o que me aconteceu. Estou imensamente feliz e quero agradecer a toda a gente”, desabafou Bernal, limitando-se a acrescentar: “É a corrida mais bela do mundo e eu sou o primeiro colombiano a ganhá-la. Hoje, sou o homem mais feliz do mundo.”

Se é indesmentível que Bernal soube aproveitar a máquina poderosa que é a INEOS, que alcançou a sétima vitória em oito edições do Tour, com quatro corredores diferentes (para lá do colombiano, venceram Bradley Wiggins, Chris Froome e Geraint Thomas), não deixa de ser curioso que a formação britânica tenha conduzido um dos “seus” à glória sem conquistar uma única etapa nesta edição.

De resto, ainda enquanto Team Sky, entre 2012 e 2018, tinha pelo menos arrebatado uma tirada na caminhada até ao triunfo final, onde neste domingo fez a “dobradinha” com o segundo lugar da geral nas mãos de Thomas. É a segunda vez que consegue ocupar os dois mais altos lugares do pódio, depois do brilharete protagonizado pelo duo Bradley Wiggins/Chris Froome há sete anos.

Quem brilhou também, mas no epílogo da 106.ª edição da Volta à França, foi Caleb Ewan. O australiano da Lotto Soudal acompanhou um primeiro ataque de Van Avermaet, a 5,5km da meta, um segundo de Julian Alaphilippe e ainda teve pernas para bater Dylan Groenewegen (que procurava a segunda vitória na capital francesa, depois de 2017) no sprint decisivo, conquistando uma etapa abrilhantada por imagens como a da passagem pela frente do Louvre.

Boas memórias deste Tour carregará ainda um dos suspeitos do costume. O nome de Peter Sagan já se confunde com a camisola verde da prova, tendo o eslovaco assegurado neste domingo, pela sétima vez na carreira, o primeiro lugar na classificação por pontos (foram 316).