Roda dos Alimentos para a população portuguesa vai ser revista até 2020

Está ainda previsto um sistema de rotulagem nutricional simples e claro, de forma a promover uma alimentação saudável. Consumo moderado de álcool será também uma das recomendações a ser discutida.

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Reuters/DAVID MDZINARISHVILI

A Roda dos Alimentos vai ser revista até final de 2020, segundo o Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS), que prevê também um sistema de rotulagem uniforme e mais fácil de entender.

O relatório de 2019 do PNPAS, a que a agência Lusa teve acesso e que será apresentado esta segunda-feira no Porto, lembra que o guia alimentar (Roda dos Alimentos) para a população portuguesa já foi desenvolvido em 2003 e precisa de ser revisto, tendo os técnicos assumido tal tarefa no plano de acção para 2019/2020.

Quanto à discussão de uma possível retirada do vinho da Roda dos Alimentos, avançada pelo Diário de Notícias, a directora do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável explica ao PÚBLICO que essa poderá ser uma das questões a ser discutida. Porém, este “é um grupo de trabalho que ainda vai ser criado e, portanto, são discussões técnicas que ainda vão acontecer”, esclarece Maria João Gregório.

“Na verdade, o que a Roda dos Alimentos contém neste momento é um folheto explicativo com as recomendações para a ingestão de álcool”, diz a representante, sublinhando que tais recomendações serão analisadas no futuro: “Se faz sentido manter, se não faz sentido manter. Se, a manter, será no mesmo formato ou num outro.”

A Roda dos Alimentos mediterrânica faz, desde 2016, uma referência ao consumo moderado de vinho. No entanto, segundo Maria João Gregório, não existem actualmente evidências que mostrem que a ingestão de álcool é considerada segura e “sem riscos para a saúde”, pelo que esta é uma discussão a ter. No entanto, afirma, ainda não é certo qual será “o futuro da Roda dos Alimentos”.

Rotulagem nutricional

Os responsáveis pelo relatório de 2019 do PNPAS recordam ainda que a utilização de rotulagem nutricional simples e clara na parte da frente das embalagens dos produtos alimentares “deve ser considerada como uma importante medida a implementar no âmbito das estratégias para promover uma alimentação saudável”, recordando que Portugal “não apresenta ainda um modelo harmonizado de rotulagem nutricional de carácter interpretativo”.

A Organização Mundial da Saúde tem realçado — nos seus planos de acção na área da nutrição e na área da prevenção das doenças crónicas — a importância de melhorar os modelos de rotulagem nutricional refere o documento, que sublinha o trabalho que tem sido desenvolvido no âmbito do PNPAS, com a realização de alguns estudos que ajudem os técnicos na elaboração de um modelo uniforme para a rotulagem dos alimentos fácil de interpretar.

“Actualmente, sabe-se que 40% da população portuguesa não consegue compreender a informação nutricional presente nos rótulos dos alimentos”, indicam os responsáveis, que reconhecem haver ainda “pouca evidência” sobre o modelo de rotulagem nutricional mais ajustado às características da população portuguesa.

O relatório de 2019 do PNPAS lembra as medidas tomadas no âmbito da alimentação saudável, designadamente a revisão do imposto sobre as bebidas açucaradas, o acordo com a indústria para reduzir o sal, açúcar e ácidos gordos trans em cereais, leites achocolatados, iogurtes, refrigerantes, pão, batatas fritas e refeições prontas a consumir, entre outros, a legislação sobre a publicidade alimentar dirigida às crianças e a revisão do cabaz de alimentos do programa de ajuda a populações mais carenciadas.

O documento faz ainda um diagnóstico da situação actual, recordando que os hábitos alimentares inadequados são um dos principais determinantes da perda de anos de vida saudável pelos portugueses e que o baixo consumo de cereais integrais, fruta e frutos oleaginosos são os principais factores que contribuem para a perda de anos de vida saudável.

Os autores do relatório frisam que a obesidade é um dos mais sérios problemas de saúde pública, mas chamam a atenção para os dados mais recentes relativos ao excesso de peso e obesidade infantil, que sugerem uma tendência decrescente (de 37,9% em 2008 para 29,6% em 2019).