Castro Almeida demitiu-se da vice-presidência do PSD a 20 de Junho

Castro Almeida já tinha manifestado a Rui Rio a sua discordância com a forma como o partido estava a ser dirigido ainda antes das eleições europeias, realizadas a 26 de Maio.

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Manuel Castro Almeida demitiu-se de vice-presidente do PSD Nuno Ferreira Santos

O vice-presidente do PSD Manuel Castro Almeida apresentou formalmente no final do mês passado a sua demissão do cargo, em carta enviada a Rui Rio.

“Formalizei a minha demissão no passado dia 19 de Junho em conversa com o presidente e, no dia 20, formalizei a minha renúncia por escrito”, disse ao PÚBLICO Castro Almeida, sem se alongar mais sobre os diferendos que o opõem ao líder do partido. O agora ex-vice presidente já não ia às reuniões da comissão permanente e da comissão política nacional há cerca de um mês.

Tal como o PÚBLICO revelou na manhã deste domingo, Castro Almeida e outros dirigentes, que, para já, não querem dar a cara, discordam da forma com Rui Rio dirige o partido – “demasiado centralista” – e da falta de diálogo interno, nomeadamente em matérias políticas importantes.

Castro Almeida manifestou a Rui Rio, muito antes das eleições europeias, realizadas a 26 de Maio, e também depois, o seu descontentamento com a forma como o partido estava a ser dirigido, dando desde logo a entender que, assim, não estaria disposto a continuar como vice-presidente. Rui Rio terá tentando demovê-lo, até porque as eleições legislativas de 6 de Outubro já estavam à vista e a saída de uma figura com grande peso no partido poderia trazer problemas.

Castro Almeida manteve a sua ideia de sair e, no passado dia 19 de Junho, e disse-o ao presidente social-democrata. No dia seguinte formalizou a renúncia por escrito.

Rui Rio manteve esta demissão em segredo, até este domingo, quando o PÚBLICO revelou o mal-estar de Castro Almeida e que este se afastara da actual direcção.

Agora, apurou o PÚBLICO, Rui Rio pretende anunciar a sua substituição o mais rapidamente possível, devendo fazê-lo no próximo Conselho Nacional, que deverá ter lugar ainda este mês.

Castro Almeida é uma figura de peso e respeitada no PSD. Ocupou vários cargos de dirigente com diversos presidentes do partido. Foi presidente da Câmara de São João da Madeira, distrito de Aveiro, cumprindo três mandatos (2001/2013). Foi também deputado em três legislaturas e secretário de Estado do Desenvolvimento Regional no Governo de Passos Coelho. Mas também já tinha ocupado a Secretaria de Estado da Educação e do Desporto, no terceiro Governo de Cavaco Silva (1993/95).

Já como vice-presidente de Rui Rio, representou o líder do partido, no ano passado, nas negociações do acordo sobre fundos estruturais para a próxima década (Portugal 2030), com o então ministro do Planeamento e das Infra-estruturas, Pedro Marques.

Em Novembro do ano passado, numa entrevista ao PÚBLICO e Rádio Renascença, o vice-presidente do PSD criticava as divisões no partido e apelava a um aproximar de ambas as partes. “Há um acentuar de críticas e de formulações alternativas. Basta ver o que se passou com este OE2019 [Orçamento do Estado]. (...) É bem certo que não há uma percepção pública das propostas do PSD. Em boa medida, porque há um problema que ainda não resolvemos, que é de ruído interno, que dificulta que as nossas propostas passem. Quando se fala de questões internas, não se fala de oposição”, disse Castro Almeida, 61 anos, advogado.

“É verdade que hoje há um clima de divisão, confrontação, de hostilidade no interior do partido que é excessivo, não é normal”, afirmou, destacando que este clima está a “prejudicar a afirmação do partido e não deixa o partido afirmar as suas mensagens”. Questionado sobre como resolveria o “ruído interno”, Castro Almeida sublinha que “há dois lados de um conflito e isto só se resolve se os dois lados resolverem aproximar-se”.

Já nessa altura, questionava a estratégia de comunicação do PSD: “O jogo de comunicação do Governo é muito mais poderoso do que o dos partidos da oposição. (…) O PSD, por culpa nossa, não tem conseguido explicar isto às pessoas. Quando os portugueses interiorizam isto, esta realidade, pensam duas vezes e ficam abananados.”

Em Fevereiro, numa entrevista à Antena1 e ao Jornal de Negócios, ainda antes das eleições europeias, o vice-presidente do PSD considerava que o seu partido ia disputar as eleições “taco a taco” com o PS e ganhar. Considerando que “a maioria absoluta do PS já se esfumou”, Castro Almeida admitia: “Se nós não o fizermos é porque somos incompetentes. Se o PSD não ganhar as eleições é por culpa própria porque o Governo está a fazer o necessário para as perder”. Considerava também que uma solução governativa com o PS só em cenário de excepção, como “uma guerra civil, de invasão estrangeira”.

Para atingir a vitória nas legislativas, a estratégia do PSD passa, ainda segundo Castro Almeida, primeiro por mostrar que o Governo é “um logro” e, em segundo lugar, por afirmar as posições do partido como alternativa porque, o PSD, agora “em acalmia, tem condições para o fazer”.