PJ encontra barras de ouro escondidas num jacuzzi do presidente dos colégios GPS

Estão em causa suspeitas de lavagem de dinheiro. Ouro encontrado e notas do Banco Central Europeu ascendem a 900 mil euros em conjunto. Buscas acontecem a pouco mais de dois meses de começar o julgamento de António Calvete e outros quatro administradores grupo.

António Mendonça
Foto
António Calvete é presidente do grupo de colégios privados GPS DR

A Polícia Judiciária encontrou nesta quinta-feira quase um milhão em barras de ouro e notas do Banco Central Europeu que estavam escondidos no vão de uma banheira de hidromassagem numa casa de António Calvete, o presidente do grupo de colégios privados GPS, noticiou o Jornal de Notícias e confirmou o PÚBLICO junto de fonte policial. As buscas decorreram em casas e empresas nas zonas de Pombal e Leiria.

A operação foi levada a cabo por suspeitas de branqueamento de capitais, tendo havida uma informação bancária nesse sentido e está relacionada com uma investigação noticiada pelo PÚBLICO em Março, altura em que a informação era de que o ex-deputado socialista António Calvete estava a ser novamente investigado pelo Ministério Público, desta vez por suspeitas de branqueamento de capitais ligadas à compra de ouro por familiares seus.

Este novo inquérito foi aberto no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), onde se investiga a criminalidade económico-financeira altamente organizada e diz respeito a ordens de compra de ouro no valor de pelo menos 400 mil euros dadas pelos titulares de várias contas do Novo Banco – dois filhos do administrador do grupo GPS e a sua companheira. Antes de estas ordens terem sido dadas, há cerca de um ano, António Calvete tinha transferido avultadas quantias para as contas bancárias em causa.

A PJ, através da Unidade Nacional de Combate à Corrupção, encontrou agora o ouro. “No decurso das diligências foram apreendidas barras de ouro e notas do Banco Central Europeu, num valor que ronda os 900 mil euros. Os referidos valores só foram encontrados graças à realização de buscas minuciosas, pois encontravam-se ocultos nas paredes e no vão de um jacuzzi”, refere o DCIAP em comunicado.

No mesmo comunicado, o Ministério Público explica que não há ainda arguidos constituídos neste processo em que foram feitas as buscas. “Investigam-se factos susceptíveis de integrarem, designadamente o crime de branqueamento. Estão em causa indícios de que um dos suspeitos, arguido num outro processo e em data próxima da acusação nesse mesmo inquérito, deu início a um processo de conversão de dinheiro em ouro”, acrescenta o DCIAP.

30 milhões sob suspeita

Estas buscas acontecem a pouco mais de dois meses de começar o julgamento de António Calvete e outros quatro administradores grupo GPS. Têm julgamento marcado para 12 de Setembro. Responderão por burla qualificada, falsificação de documentos e peculato. 

O Ministério Público calcula que os administradores dos colégios se tenham apoderado para seu uso pessoal de 30 dos 300 milhões de euros que o GPS recebeu do Estado entre 2005 e 2013 por conta dos chamados contratos de associação, que são os apoios que o Estado concede ao ensino privado que faz as vezes do público nas localidades onde este último não existe, ou não chega para todas as crianças que estão na escolaridade obrigatória.

A um dos administradores do grupo foram apreendidas pelas autoridades seis dezenas de automóveis. Da frota de veículos faziam parte dois Porsches, e ainda vários automóveis Audi e Mercedes de topo de gama. Segundo a acusação, parte dos carros foram "posteriormente revendidos pelos arguidos, por preço inferior, a familiares ou pessoas da sua confiança”.