Nas “meias”, a Copa América vai ter o jogo mais esperado: Brasil-Argentina

A selecção de Messi eliminou a Venezuela nos quartos-de-final com um triunfo por 2-0. Martínez e Lo Celso marcaram os golos.

A Argentina está nas mais-finais da Copa América após eliminar a Venezuela
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A Argentina está nas mais-finais da Copa América após eliminar a Venezuela Reuters/SERGIO MORAES
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A festa dos adeptos da Argentina LUSA/Julio Cesar Guimaraes
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Lo Celso, autor de um dos golos da Argentina Reuters/SERGIO MORAES
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Di María tenta ultrapassar um jogador da Venezuela Reuters/LUISA GONZALEZ
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Messi em acção Reuters/LUISA GONZALEZ

A cada Copa América há sempre a expectativa de ver em acção a maior rivalidade futebolística do continente e, se for numa final, tanto melhor. Não será no jogo decisivo, mas a Copa América 2019 também vai ter o seu Brasil-Argentina (será nas meias-finais), depois de a “albiceleste” ter derrotado nesta sexta-feira a Venezuela por 2-0. Em pleno Maracanã, a Argentina voltou a não ser brilhante e Lionel Messi nem apareceu muito, mas um golo em cada parte chegou para derrotar a selecção venezuelana e marcar encontro com os brasileiros nas “meias”, na próxima quarta-feira, no Mineirão de Belo Horizonte.

O Maracanã era um palco de más memórias para Messi e companhia — tinha sido no recinto “carioca” que a Argentina perdera a final do Mundial 2014 para a Alemanha. E esta Copa América, apesar de terem ultrapassado a fase de grupos, não estava a ser de boas sensações para os argentinos, apenas com uma vitória (sobre o Qatar) nos três jogos do agrupamento.

A Venezuela, uma selecção em pleno crescimento competitivo, era um desafio maior para a equipa orientada pelo interino tornado definitivo Lionel Scaloni, que fez algumas mudanças no “onze”, uma delas a promoção à titularidade do sportinguista Marcos Acuña — para o banco foi um dos reforços do FC Porto para a nova época, Saravya.

Os primeiros minutos foram de pressão argentina e o primeiro golo surgiu com naturalidade. Logo aos 10’, Sergio Agüero ensaiou um remate sem grande direcção e a bola parecia encaminhada para a linha de fundo, mas, ao atravessar a pequena área, encontrou-se com o calcanhar de Lautaro Martínez e mudou de direcção, rumo à baliza da Venezuela.

Era o melhor início possível para os argentinos, uma forma de se tranquilizarem no jogo, mas, em vez disso acontecer, voltaram a descer à mediocridade e permitiram aos “vinotinto” crescer. Com Murillo, avançado do Tondela, de início, a Venezuela mostrou-se uma equipa competente na contenção e na criação de jogadas de perigo em contra-ataque, e aproximou-se várias vezes da baliza de Armani.

A verdade é que, mesmo em jogo de pouca inspiração, a Argentina foi sempre sólida na defesa e raramente cedeu aos avanços venezuelanos, que só conseguiram criar uma situação de perigo iminente, aos 71’. Ronald Hernández recebeu uma bola bombeada e, de primeira, rematou na direcção certa, mas o guardião argentino não deixou a bola entrar.

Logo a seguir, os argentinos praticamente mataram o jogo. Aos 75’, Agüero voltou a ensaiar um remate de fora da área que parecia controlado por Wulkier Fariñez, o jovem e talentoso guarda-redes venezuelano. Mas Fariñez fez-se mal ao lance, não segurou a bola e, na recarga, Giovanni Lo Celso, estava lá para fazer o 2-0, apenas seis minutos depois de ter entrado para o lugar de Acuña.

A Venezuela entrou em modo desespero, mas já não conseguiu evitar a eliminação e vai passar mais uma edição da Copa América como a única selecção sul-americana que nunca chegou a uma final do torneio.

Já a Argentina, que perdeu as duas últimas finais da mesma maneira (penáltis) e frente ao mesmo adversário (Chile), segue para um confronto com o anfitrião Brasil, que se tem exibido numa forma bastante razoável mesmo sem ter Neymar.

Será o 105.º confronto entre os dois gigantes do futebol sul-americano, sendo que, as duas últimas vezes que se defrontaram na Copa América, foi na final e ambas tiveram triunfo brasileiro — nos penáltis em 2004 e por 3-0 em 2007, um jogo em que Messi, então com 20 anos, foi titular.

Neste sábado, ficará definida a outra meia-final. Primeiro, Uruguai e Peru defrontam-se no Arena Fonte Nova, em Salvador (20h, SP-TV1), seguindo-se, à meia-noite (hora de Lisboa), um Colômbia-Chile no Arena Corinthians, em São Paulo, que será de interesse particular para os portugueses. Carlos Queiroz tem tido uma carreira perfeita nesta sua primeira competição como treinador da selecção colombiana e quererá, frente aos detentores do título, continuar em prova.

Brasil sofreu para afastar Paraguai

A passagem do anfitrião Brasil às meias-finais foi difícil e apenas conseguiu derrubar o Paraguai nos penáltis (4-3), depois de 90 minutos sem golos.

Em Porto Alegre, os paraguaios resistiram com grande organização defensiva e enorme espírito de sacrifício, sobretudo depois de, aos 58 minutos, ficarem reduzidos a 10 unidades.

No desempate, Gustavo Gómez falhou logo o primeiro pontapé, depois, com 3-3, Roberto Firmino atirou ao lado, mas, no seguinte, o ex-benfiquista Derlis González, que já falhara um castigo máximo face à Argentina, fez o mesmo, cabendo a Gabriel Jesus, que, por seu lado, tinha falhado contra o Peru, apurar o Brasil.

Os ‘canarinhos’, que em 2011 (0-2) e 2015 (3-4) tinham caído nos penáltis perante os paraguaios nos ‘quartos’, foram desta vez mais felizes e vão agora defrontar a Argentina.

Depois do quarto lugar no Mundial de 2014, que organizaram e incluiu um 1-7 com a Alemanha, nas “meias” e um 0-3 com a Holanda, no jogo do “bronze”, o Brasil está, assim, pela 30.ª no top-4 da prova e na corrida pelo nono título e quinto em outras tantas edições caseiras, depois de 1919, 1922, 1949 e 1989.