Jogos Europeus: medalhas, apuramento olímpico e “versão hip-hop do atletismo”

Segunda edição do evento começa hoje em Minsk, na Bielorrússia. Portugal participa em 13 modalidades e está de olho nas medalhas, mas não repetirá as conquistas no taekwondo e triatlo, que saíram do programa.

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LUSA/TATYANA ZENKOVICH
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Durante os próximos dias a capital da Bielorrússia estará no epicentro do desporto europeu – ou, pelo menos, de uma parte do desporto europeu. Minsk recebe até 30 de Junho a segunda edição dos Jogos Europeus, numa versão compactada relativamente àquela que foi organizada pelo Azerbaijão há quatro anos: o número de desportos diminuiu, com a consequente redução do número de atletas, e o evento durará apenas uma semana e meia, ao contrário das duas semanas e meia de 2015. Portugal participa com 99 atletas de 13 modalidades e aspira a aproximar-se dos resultados obtidos na primeira edição (dez medalhas, três delas de ouro).

Repetir o desempenho da edição inaugural dos Jogos Europeus será complicado, admitiu o presidente do Comité Olímpico de Portugal, José Manuel Constantino, em conversa com o PÚBLICO. Nomeadamente porque foram riscados do programa desportos que deram medalha em 2015: o taekwondo (Rui Bragança conquistou ouro e Júlio Ferreira bronze) e o triatlo (prata de João Silva) não constam do plano da competição – tal como as modalidades aquáticas (natação, polo aquático, saltos para a água e natação sincronizada), BMX, BTT, esgrima e voleibol (de praia e de pavilhão).

Porém, Portugal até pode ter motivos de festa bem cedo. Rui Baptista, no tiro com arco, será o primeiro português em acção (já nesta sexta-feira, nas qualificações), estando marcado para sábado o arranque da competição de judo (que terá o estatuto de Campeonato da Europa): entre os judocas portugueses que competem amanhã, o destaque vai para Telma Monteiro, que defende o ouro conquistado em Baku 2015 (-57kg). No mesmo dia, a dupla João Costa (prata há quatro anos) e Joana Castelão tentará apurar-se para a final da competição de equipas mistas em tiro com pistola a 10m, e Daniela Reis e Maria Martins correm na prova de estrada de ciclismo.

A comitiva portuguesa leva a Minsk os seus principais valores em dois desportos que deram medalhas há quatro anos: canoagem (Fernando Pimenta conquistou prata em K1 1000m e K1 5000m) e ténis de mesa (ouro na prova por equipas masculinas). Mas é no atletismo que o contingente nacional será mais numeroso, com um total de 20 atletas. O modelo competitivo do atletismo nesta segunda edição dos Jogos Europeus vai ser “muito próprio”, como o definiu José Manuel Constantino. “A versão hip-hop do atletismo”, chamava-lhe o site oficial dos Jogos Europeus 2019.

Espaço ao novo atletismo

“Música, interacção com o público, e provas rápidas, mistas, com um formato orientado para a competição por equipas”, são alguns dos motivos de interesse, segundo a organização. O programa é constituído por provas de 100m, 110m barreiras, estafeta 4x400m mista, corrida de perseguição mista, salto em altura (apenas homens), salto em comprimento (apenas mulheres) e lançamento do dardo (apenas mulheres) – mas não haverá eventos de atletismo a decorrer em simultâneo – a organização atribuirá medalhas individuais em cada prova mas também pontos a contar para a competição por equipas. “O Dynamic New Athletics (que pode traduzir-se como Novo Atletismo Dinâmico) é o resultado de três anos de investigação e desenvolvimento num esforço da Federação europeia de atletismo para conquistar a atenção de uma geração mais nova, habituada a assistir a eventos desportivos de forma inteiramente diferente dos seus pais”, explicava o site oficial.

Inovações à parte, os Jogos Europeus vão atribuir títulos de campeão da Europa em judo e boxe, e serão também uma etapa no apuramento olímpico em alguns dos desportos: há lugares de qualificação directa em determinadas provas de canoagem, tiro, e ténis de mesa, e pontuação para o ranking no atletismo, badminton, boxe, ciclismo, judo, karaté e tiro com arco.

Em termos organizativos, as autoridades bielorrussas prometem um evento livre de sobressaltos. “Estamos dentro do orçamento e excedemos as expectativas na atracção de patrocinadores nacionais”, sublinhava há dois meses o primeiro-ministro Sergei Rumas, lamentando a falta de capacidade dos comités olímpicos europeus para atrair patrocinadores internacionais. “Contudo, vamos compensar isso com as parcerias que a organização dos Jogos Europeus conseguiu encontrar”, garantia Rumas.

Mas isso poderá ser apenas uma visão da história. “A Bielorrússia já gastou mais do dobro do planeado na preparação dos Jogos Europeus, um total de 112 milhões de dólares (praticamente 100 milhões de euros) para cerimónias, remodelação de infraestruturas e outras despesas”, indicava a analista Alesia Rudnik no Belarus Digest, acrescentando: “Os organizadores esperavam vender 190 mil bilhetes para as cerimónias de abertura e encerramento e para as competições, mas apenas 69% foram vendidos. As autoridades bielorrussas prevêem 30 mil turistas durante o período dos Jogos Europeus, mas é improvável que esse número de turistas visite o país e compense o valor gasto na organização do evento.”

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