Militar português ferido com gravidade em acidente na República Centro-Africana

Família do militar já foi informada. Marcelo enviou “rápidas melhoras” à vítima do acidente.

República Centro-Africana
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Miguel Manso

Um militar português ao serviço das Nações Unidas na República Centro-Africana (RCA) ficou esta quinta-feira ferido com gravidade devido a um acidente de viação, informou o Estado-Maior General das Forças Armadas (EMGFA).

Em comunicado, o EMGFA informa que o militar, cuja família já foi avisada do acidente, sofreu um traumatismo grave nas duas pernas.

O acidente aconteceu enquanto realizavam um trajecto logístico junto à região de Bouar, situada a 350 quilómetros a noroeste da capital do país, quando ocorreu o despiste e capotamento de uma das viaturas tácticas ligeiras blindadas HMMWV, vulgarmente conhecidas por “Humvee”.

A nota refere que são ainda desconhecidas as causas do acidente, mas que “a forte precipitação que assola a região, bem como o estado altamente precário da viatura, poderão ter contribuído para o despiste”.

“A equipa de médicos portugueses desta Força Nacional Destacada está a acompanhar a evolução clínica do militar em estreita ligação com os médicos do Hospital das Forças Armadas em Portugal”, avança o EMGFA.

Marcelo deseja melhoras

Entretanto, o Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, Marcelo Rebelo de Sousa, endereçou “rápidas melhoras” ao militar português.

Numa nota publicada na página oficial da Presidência da República é referido que Marcelo Rebelo de Sousa “já falou telefonicamente com o comandante” da força portuguesa ao serviço das Nações Unidas na RCA, a quem endereçou os seus votos de “rápidas melhoras” ao militar ferido.

Portugal no terreno desde 2017

O conflito neste país, com o tamanho da França e uma população que é menos de metade da portuguesa (4,6 milhões), já provocou 700 mil deslocados e 570 mil refugiados e colocou 2,5 milhões de pessoas a necessitarem de ajuda humanitária.

O Governo controla cerca de um quinto do território. O resto é dividido por mais de 15 milícias que procuram obter dinheiro através de raptos, extorsão, bloqueio de vias de comunicação, recursos minerais (diamantes e ouro, entre outros), roubo de gado e abate de elefantes para venda de marfim.

Portugal está presente na RCA desde o início de 2017, no quadro da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização na República Centro-Africana (MINUSCA), cujo 2.º comandante é o major-general do Exército Marco Serronha.

Portugal integra a MINUSCA, com a 5.ª Força Nacional Destacada (FND), e lidera a Missão Europeia de Treino Militar-República Centro-Africana (EUMT-RCA), que é comandada pelo brigadeiro-general Hermínio Teodoro Maio.