Barty vence em Roland Garros e conquista pela primeira vez um major

A final feminina do torneio francês foi disputada por duas estreantes.

Ashleigh Barty
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Ashleigh Barty LUSA/JULIEN DE ROSA

No início da época de terra batida, Ashleigh Barty só tinha uma preocupação: não cair. Sem nunca se ter dedicado com total empenho ao ténis sobre o pó de tijolo, a australiana surgiu este ano com outra determinação e chegou a Roland Garros com 10 encontros ganhos neste piso (mais de metade do total da sua carreira) em 12 realizados. A recente inclusão na sua equipa do australiano Ben Crowe, especialista em performance, levou a antiga menina prodígio a melhorar a capacidade de lidar com as adversidades, causadas pelas adversárias ou pelas condições atmosféricas. Enquanto as demais concorrentes iam caindo, a determinação de Barty foi crescendo e, no derradeiro dia, em que a chuva e o vento voltaram a prejudicar o espectáculo, o sol reapareceu para a tenista de 23 anos erguer o seu primeiro troféu do Grand Slam.

“As estrelas alinharam-se para mim nesta quinzena. Consegui jogar o meu ténis, o que é de registar. Aprendi a cada encontro a usar a minha variedade”, revelou Barty. A última adversária, a também estreante em finais individuais de majors, Marketa Vondrousova (38.ª WTA), sentiu as mesmas dificuldades para contrariar a eficácia do ténis criativo de Barty e cedeu ao fim de 70 minutos: 6-1, 6-3. A superioridade de Barty sobre a checa de 19 anos é traduzido em algumas estatísticas: 76% de pontos ganhos com o segundo serviço, 53% de pontos ganhos nos jogos de resposta e 27 winners, incluindo três ases e 15 pontos ganhos na rede. “Sei que a minha técnica é boa, posso confiar nela. Trabalhei muito para disputar os jogos de resposta à minha maneira”, disse a australiana de 1,68m de altura.

Barty é a primeira Australiana a triunfar em Roland Garros desde Margaret Court em 1973. E vai ser a primeira do seu país a ocupar o segundo lugar do ranking desde 1976, sucedendo a Evonne Goolangong Cawley. “Quando comecei a jogar ténis, tentei construir um estilo único. Evonne era um modelo para mim, mas o meu treinador sempre me lembrou que tinha de criar o meu estilo”, referiu.

Dotada de um ténis muito completo, Barty tem a capacidade de variar o jogo a seu bel-prazer e tem muitas soluções ao seu dispor, para enorme desconforto das adversárias, mais habituadas a um ritmo forte e constante. Um serviço bem colocado, que lhe deu a liderança da tabela de ases, com 38, uma direita pesada e versátil, que lhe dá a possibilidade de abrir ângulos ou terminar pontos, uma esquerda “cortada”, que mantém a bola muito baixa e disfarça a opção pelos amorties, ou batida a duas mãos, para acelerar o ritmo, além de um jogo de rede sólido, fortalecido nos inúmeros encontros de pares que disputa.

Cansada das expectativas altas, criadas com o triunfo no torneio júnior de Wimbledon, com 15 anos, Barty afastou-se do ténis no final de 2014, quando estava no top 50 em pares e já com três finais do Grand Slam disputadas na variante. Esteve a jogar críquete numa liga profissional australiana, antes do bichinho do ténis voltar a chamá-la. “Se não tivesse deixado o ténis em 2014, certamente que não estaria aqui com o troféu, nem sei se ainda estaria a jogar ténis. O ténis sempre foi uma parte da minha vida, mesmo quando saí. Mas senti a falta da competição do um contra um, os altos e baixos dos encontros”, confessou neste sábado.

Há exactamente três anos, reapareceu no ranking mundial, fora do top 600. Em Fevereiro de 2017, conquistou o primeiro título no WTA Tour e no final de 2018 conquistou o US Open de pares, ao lado de Coco Vandeweghe. Este ano, estreou-se nuns quartos-de-final de um Grand Slam, na Austrália, e, em Março, triunfou em Miami, onde estavam as melhores tenistas do planeta. Neste sábado, ergueu a Taça Suzanne Lenglen. “The Barty Party” não vai ser uma comemoração das duas últimas semanas, mas dos dois, três anos, com toda a equipa à minha volta”, frisou a campeã, recompensada com um cheque de 2,3 milhões de euros.

No ano passado, Barty dizia que cada semana passada em terra batida, era menos uma semana que faltava para a época de relva. Agora, são muitos mais os que esperam com expectativa pelo que a australiana irá fazer dentro de três semanas, em Wimbledon.

Dominic Thiem regressa à final

Número quarto na hierarquia mundial, Dominic Thiem confirmou o estatuto de número dois no ranking particular da terra batida, ao qualificar-se pelo segundo ano consecutivo para a final de Roland Garros (14h de Lisboa), onde vai voltar a encontrar Rafael Nadal.

No recomeço da meia-final interrompida na véspera no terceiro set, quando o austríaco liderava por 3-1, Thiem voltou a mostrar a mesma solidez e agressividade e, apesar da resiliência de Novak Djokovic e das interrupções causadas pela chuva, venceu, por 6-2, 3-6, 7-5, 5-7 e 7-5.

No ano passado, Nadal venceu a final sem ceder qualquer set, mas as vitórias de Thiem sobre o espanhol, no final de Abril, em Barcelona, e, neste sábado, sobre Djokovic, dão outra confiança ao austríaco de 25 anos – o único tenista no activo com menos de 28 anos que já esteve numa final do Grand Slam.