Miguel Costa Gomes, o empresário que se tornou autarca

Presidente da Câmara de Barcelos é um dos detidos pela Operação Teia da Polícia Judiciaria.

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Paulo Pimenta

Miguel Costa Gomes, o independente que o PS convidou para liderar a lista à Câmara de Barcelos em 2009, foi detido nesta quarta-feira, juntamente com o seu correligionário de partido, Joaquim Couto, presidente da Câmara de Santo Tirso, na Operação Teia. Logo de manhã, bem cedo, a Polícia Judiciária surpreendeu-o na sua residência, em Gamil, e o autarca acompanhou as autoridades até à Câmara de Barcelos, onde decorreram buscas.

Ao fim de muitos anos de uma gestão presidência social-democrata, a Câmara de Barcelos tornou-se socialista com a eleição de Miguel Costa Gomes. Costa Gomes aceita trocar a presidência da Associação Comercial e Industrial de Barcelos para protagonizar uma candidatura à câmara municipal e acaba por surpreender todos ao ser eleito com 44,52% dos votos, derrotando o social-democrata Fernando Reis, que liderou a Câmara de Barcelos durante duas décadas. O actual presidente, de 62 anos, entrou, assim, com preponderância na vida autárquica, mas perdeu a maioria absoluta conquistada em 2013 nas últimas eleições. Antes das autárquicas de 2017 o presidente do executivo deixou de contar com a confiança política daquele que tinha sido o seu vice-presidente nos dois mandatos anteriores, Domingos Pereira, que viria a perder os pelouros que tutelava, em Maio de 2016.

Domingos Pereira, que liderava a comissão política concelhia do PS, desfiliou-se do partido, anunciando ao mesmo tempo a sua candidatura como independente à Câmara de Barcelos nas autárquicas de 2017.

Reagindo à detenção do autarca socialista, o seu advogado, Pedro Marinho Falcão, considerou a detenção “inadmissível” e acusou o Ministério Público de promover uma “investigação-espectáculo”.

O mandato do socialista não tem sido tranquilo. O seu antecessor, Fernando Reis, já veio acusar o actual executivo de ser o “grande culpado” pela condenação do município a pagar uma indemnização de 172 milhões de euros à empresa Águas de Barcelos. O Tribunal Arbitral condenou, em 2012, a autarquia a pagar 172 milhões de euros à Águas de Barcelos até 2035, para reposição do equilíbrio financeiro da empresa. O contrato havia sido assinado em 2004 pelo executivo de Fernando Reis.