As naturezas-mortas de hoje seriam “vidas-zombies”, embrulhadas em plástico

Reinterpretação de uma pintura de natureza morta de Egidio Melendez
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Reinterpretação de uma pintura de natureza morta de Egidio Melendez

É uma ironia — ou somente um retrato demasiado real da forma como os alimentos, muitas vezes, nos chegam à mesa. Uma única banana embrulhada em esferovite e plástico, um melão protegido por uma rede, quatro figos dentro de uma embalagem. Uma laranja sem casca mas com um invólucro sintetizado com materiais proveniente do petróleo — irónico, não?

O atelier de designer e arquitectura quatre caps de Valência, Espanha, imaginou como seriam as pinturas de naturezas-mortas com produtos trazidos directamente de um supermercado em 2019 (e o resultado destoa bem das imagens nos anúncios publicitários). Por isso, a série fotográfica Not Longer Life propõe uma "elevação da definição de natureza-morta": é, agora, uma "uma vida-zombie". 

"Na procura de um conforto ridículo, normalmente confundido com progresso, bem-estar e luxo", alertam os artistas, perdeu-se a consciência "do consumo energético e do impacto ambiental de usar uma absurda embalagem de plástico", uma única vez. "Longe de se encontrar uma solução real para o problema, as poucas medidas para o enfrentar são populistas e servem o único propósito de limpar uma imagem", denunciam. São estes os retratos que queremos para os nossos tempos?

Reinterpretação de uma pintura de natureza morta de Abraham Van Beyeren
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Reinterpretação de uma pintura de natureza morta de Caravaggio
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Reinterpretação de uma pintura de natureza morta de Monet
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Reinterpretação de uma pintura de natureza morta de Sanchez Cotan
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