CDU perde Setúbal e Beja em europeias. Que falta de força é esta?

PCP reúne esta terça-feira o Comité Central para analisar o desaire eleitoral e escolher o caminho para os próximos meses: moderar o discurso ou cavar mais fundo a trincheira para o PS e o Governo.

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CDU perdeu alguns bastiões LUSA/ANTONIO PEDRO SANTOS

Estiveram quase em 2014, mesmo quando a CDU obteve o resultado histórico de 12,69% no total do país; acabaram por ceder agora. Setúbal e Beja, os únicos distritos que ainda se pintavam a vermelho no mapa das eleições europeias, foram perdidos no domingo para o PS. E, também aqui, o trambolhão comunista foi grande. A explicação para a quebra da CDU está obviamente na fuga de votos para o PS, para o Bloco e até alguns talvez para o PAN, mas também na redução do número de inscritos e votantes em alguns distritos onde os comunistas têm peso, como é o caso de Évora e Beja – e é certo que o eleitorado do PCP está muito envelhecido.

Em Setúbal, a coligação que junta o PCP, o PEV e a ID perdeu cerca de 30 mil votos, de 74.867 para 44.337 e ficou em segundo lugar. O PS conseguiu mais do dobro: 90.067. Em 2014, a CDU tinha ganho aqui ao PS por apenas 655 votos. Para onde foram? Bom, segundo resultados do MAI desta segunda-feira à tarde, o PS e o Bloco ganharam 15 mil votos cada e o PAN subiu nove mil. Só falta dizer que apesar de as listas eleitorais terem aumentado em dez mil eleitores no distrito, só votaram mais mil pessoas do que em 2014, o que significa que o aumento destes três partidos se fez também à conta dos 16 mil votos que o MPT aqui tinha conseguido há cinco anos, já que Marinho Pinto se ficou agora pelos 900.

Mais abaixo, Beja foi outro desaire. Não tão expressivo nas urnas, mas significativo politicamente – além de perder a cintura industrial da margem sul de Lisboa agora, e de já ter perdido o outro bastião comunista alentejano de Évora em 2014 (sim, em contraciclo nessa altura), o maior distrito português (em área) cai agora também para mãos socialistas. Há cinco anos, CDU e PS tinham ficado separados por meros 270 votos; desta vez os socialistas ultrapassaram-nos por 4.542.

A CDU mantém-se como segunda força política nestes três distritos do continente, mas no domingo foi ultrapassada pelo Bloco em Lisboa, Castelo Branco, Coimbra, Faro, Santarém, Guarda, Bragança, Braga e Viana do Castelo. Aconteceu o mesmo em Leiria, Aveiro, Viseu, Porto, Vila Real, assim como nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira – e em todos estes até foi também ultrapassada pelo PAN. Manteve o terceiro lugar em Portalegre.

O Comité Central do PCP reúne-se hoje na sede do partido na Soeiro Pereira Gomes durante todo o dia e Jerónimo de Sousa há-de falar aos jornalistas ao fim da tarde, mesmo que o encontro ainda não tenha acabado – e que é bem provável que se prolongue pela noite, já que o encargo é grande. “Isto precisa de uma avaliação mais a fundo no quadro da direcção do meu partido”, respondeu no domingo à noite.

Tendo em conta que são as segundas eleições (sem contar com as presidenciais) que correm mal ao PCP desde que assinou o acordo com o PS e o Governo, é o futuro da solução política e o posicionamento dos comunistas que se vão escalpelizar à mesa do Comité Central. A escolha terá que ser entre moderar o discurso – e não falar da saída do euro nesta campanha não chegou – ou extremar posições. No domingo, Jerónimo marcou o caminho do PCP para os próximos dois meses que restam da legislatura: intensificar a luta contra as normas gravosas das leis laborais, pelo aumento dos salários (em especial o mínimo para os 850 euros) e do investimento nos serviços públicos.

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