Há 20 anos que o partido no Governo não ganhava as eleições europeias

Desde António Guterres que um partido no Governo não ganhava europeias. O feito foi agora repetido pelo PS de outro António: António Costa.

António José Seguro
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Nas eleições para o Parlamento Europeu, em Junho de 1999, a lista do PS, encabeçada por Mário Soares, venceu com 43,1%. DANIEL ROCHA

Há vinte anos que o partido que exerce a governação em Portugal não ganhava eleições europeias. Tal verificou-se nestas eleições com a vitória do PS e tinha acontecido em 13 de Junho de 1999, quando os socialistas venceram o acto eleitoral para o Parlamento Europeu, liderados pelo então primeiro-ministro António Guterres.

A diferença é que o PS agora atingiu os 33,4, elegendo nove eurodeputados, quando há 20 anos obteve 43,07% e conseguiu eleger 12 eurodeputados, encabeçados por Mário Soares — numa época em que Portugal elegia 25 representantes nos hemiciclos de Estrasburgo e Bruxelas, e não os actuais 21.

O melhor resultado do PS em europeias surgiu nas eleições seguintes, a 12 de Junho de 2004, onde os socialistas liderados por Eduardo Ferro Rodrigues obtiveram 44,53% e os mesmos 12 eleitos entre 24 representantes de Portugal, numa lista que acabou então liderada por António Costa, depois da morte, em plena campanha, de Sousa Franco, tendo o PSD como cabeça-de-lista João de Deus Pinheiro.

Nessa eleição, o PSD teve 31,11% e conseguiu nove eurodeputados, quando presidido pelo recém-eleito líder, Durão Barroso e teve como cabeça-de-lista Pacheco Pereira. Este domingo ficou-se pelos 22,2% e seis eleitos. Refira-se que foi o PSD o outro partido além do PS a ganhar por duas vezes europeias enquanto estava no Governo.

Aconteceu com Cavaco Silva como primeiro-ministro em 18 de Junho de 1989, em que o PSD obteve 32,75% e elegeu nove dos 24 eurodeputados portugueses, numa lista liderada por António Capucho, quando o cabeça-de-lista do PS foi João Cravinho, que se ficou pelos 28,54% e elegeu oito representantes. E também com Cavaco Silva, em 19 de Julho de 1987, data das primeiras europeias em Portugal, que decorreram em simultâneo com as legislativas em que Cavaco Silva atingiu a sua primeira maioria absoluta.

Só que se para a Assembleia da República o PSD atingiu nesse dia a mítica meta eleitoral de 50,22%, ocupando 148 mandatos em São Bento, para o Parlamento Europeu o resultado foi de 37,45%, com 10 eleitos entre os 24 representantes de Portugal, sendo cabeça de lista Pedro Santana Lopes e a lista do PS era liderada por Maria de Lourdes Pintasilgo, que elegeu seis eurodeputados e teve 22,48%.

Numa eleição em que o número de partidos a chegar a Bruxelas era menor que hoje, o PCP, agora com 6,7% e dois eurodeputados, obteve então 10,32%, elegendo dois representantes, a primeira das quais Ilda Figueiredo. Também dois eurodeputados elegeu então o CDS numa lista encabeçada por Paulo Portas, com 8,16%, meta que não repete – fica-se pelos 6,2% e um eleito.