Opinião

Os fantasmas do comendador

A repulsa que Berardo hoje suscita reflecte um sentimento e uma rejeição de “classe” ainda muito enraízados em Portugal.

Escrevi na crónica anterior que Joe Berardo se revelou “o representante mais histriónico do capitalismo português: a sua dislexia serve-lhe às mil maravilhas para fazer a caricatura de um sistema que ri à custa dos outros ao mesmo tempo que se ri de si mesmo”. Uma semana depois, essa observação que me parecia pertinente, foi completamente ultrapassada pelos acontecimentos, com a transformação do caso Berardo num psicodrama nacional e no retrato mais grotesco do país que somos em vários domínios. Com efeito, há muito tempo que não me recordo de ver uma tal concentração de atenções e comentários numa mesma personagem, ofuscando totalmente a já irrelevante campanha para as eleições europeias (como se Berardo fosse o candidato fantasmagórico dessas eleições).