John Carpenter veio do outro mundo para uma vingança

Distinguido com o Carrosse d’Or, prémio honorário para a rebeldia de um realizador, o cineasta americano veio a Cannes apresentar um filme que, à data da estreia, falhou a crítica e falhou o público: Veio do Outro Mundo.

Keith David, John Carpenter e Kurt Russell na rodagem de <i>Veio do Outro Mundo</i>
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Keith David, John Carpenter e Kurt Russell na rodagem de Veio do Outro Mundo Sunset Boulevard/Corbis/Getty Images

O nome dele é John Carpenter e queria fazer westerns. Ele que depois de exposto a Forbidden Planet (Fred McLeod Wilcox, 1956) pensou pela primeira vez que queria ser realizador – embora antes, com A Rainha Africana (John Huston, 1951), já tivesse percebido que havia ali, nos filmes, um “dispositivo”. Queria fazer westerns (chegou a escrever um argumento para John Wayne e Elvis Presley), mas o sucesso de Halloween (1978), que foi sendo construído de forma imperceptível à medida que uma mesma cópia rodava de terra em terra pelos EUA, fixá-lo-ia no “cinema de terror”. Mas depois disso John Carpenter terá de facto feito os seus westerns, mesmo que sob a forma de thriller urbano, como no caso de Assalto à 13.ª Esquadra (1976), ou ficção científica. Não estava mal: tinha consigo o pendor mítico e terminal dos filmes de cowboys e, como o género era o de terror, considerado de série B, podia ser subversivo e político a olhar para os seus contemporâneos americanos.