Wolfgang Hasselmann/Unsplash
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A salvação das abelhas pode estar no nosso bolso — e num depósito de açúcar

Movimento pretende munir os cidadãos britânicos de cartões com uma substância açucarada, de forma a ser possível salvar abelhas em avançado estado de cansaço.

Podem passar despercebidas aos milhares de habitantes das grandes cidades mundiais – que, muitas vezes, só reparam nelas quando são picados ou se deslocam para contextos rurais; no entanto, as abelhas desempenham um papel relevante na dinâmica ambiental de qualquer ecossistema, nomeadamente ao nível das cadeias alimentares e do controlo de pragas.

Para colmatar as crescentes dificuldades que estes insectos atravessam na recolha do pólen, o movimento Bee Saviour Behaviour, fundado em Norwich, Inglaterra, desenvolveu o Bee Saviour Card, um cartão que contem três depósitos repletos de uma solução açucarada (o açúcar é a principal fonte de energia das abelhas). O objectivo é que qualquer cidadão que se depare com uma abelha exausta — geralmente caída no chão — e incapaz de chegar à próxima fonte de açúcar a possa alimentar, de forma a fornecer a energia necessária para que o animal continue a polinização.

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Os cartões, feitos a partir de outros utilizados anteriormente em transacções comerciais, têm três depósitos selados – à semelhança do que acontece com uma embalagem de comprimidos – e podem ser reabastecidos gratuitamente assim que a substância acaba, com as despesas a serem suportadas pelo movimento. A dimensão destes dispositivos é o ponto forte, já que podem ser facilmente transportados em qualquer porta-moedas ou bolso. Numa fase inicial foram distribuídos 200 protótipos.

O apoio financeiro do projecto está a chegar através de uma campanha de crowdfunding que, até ao momento, já angariou mais de 28 mil euros, ultrapassando a meta inicialmente proposta de 20 mil, quando ainda restam 16 dias para o fim do prazo definido. Todos os que já contribuíram e ainda possam vir a contribuir para a causa passam a integrar uma comunidade apelidada Bee Saviour Citizens. Para além do salvamento, a associação destaca que esta prática pode ser também uma “oportunidade para todos os cidadãos se conectarem com a natureza”. 

Este tipo de iniciativas ganha especial relevância se se atentar às especificidades das abelhas, insectos que possuem um metabolismo rápido e despendem muita energia durante as funções que operam: uma abelha que esteja com o estômago cheio pode estar a apenas 40 minutos de morrer à fome.

O actual modelo de organização urbanístico das grandes cidades, caracterizado pelo crescimento das áreas urbanas e diminuição dos espaços verdes, parece não estar a ajudar esta espécie altamente dependente do açúcar que recolhe das flores para sustentar a energia de que precisa. As alterações climáticas e o consequente aquecimento global podem, também, representar mais um episódio na perda da biodiversidade existente, devido à diminuição das plantas de que as abelhas necessitam para se alimentar.

Segundo os ambientalistas, o fenómeno está longe de se circunscrever a uma cidade ou um país, já que todo o planeta está a sofrer com a perda de biodiversidade e as consequências inerentes. As abelhas, enquanto insectos polinizadores, ajudam na reprodução da flora e acabam por interferir em cerca de 80% dos alimentos de origem vegetal.