Opinião

Eleições europeias – desta vez eu voto

Nós, abaixo assinados, presidente do Parlamento Europeu e antigos presidentes do Parlamento Europeu, apelamos aos povos da Europa para que exerçam o seu direito cívico e a sua responsabilidade de votar nas próximas eleições para o Parlamento Europeu.

Encontramo-nos numa encruzilhada e as escolhas dos cidadãos, quando forem chamados a votar no final do mês de maio nas eleições europeias, terão uma importância crucial no futuro da Europa.

Fomos presidentes do Parlamento Europeu em tempos de incerteza, mas também de otimismo. Ao longo da história do continente pós-Segunda Guerra Mundial, a solidariedade uniu os europeus e permitiu-lhes enfrentar as maiores dificuldades, mesmo quando as nuvens de incerteza eram mais negras. Já não falamos de “antigos” e de “novos” Estados-membros, mas sim de uma Europa, de Helsínquia a Nicósia e de Lisboa a Bucareste e Varsóvia.

As velhas certezas que tão bem sustentaram a Europa e o mundo desde o final da Segunda Guerra Mundial estão atualmente a ser postas à prova devido a uma nova vaga de política transnacional e a um aumento crescente das tensões geopolíticas numa nova era de grandes lutas pelo poder.

Enquanto europeus, não podemos escolher pelos outros. Não podemos controlar o que os outros fazem. Podemos, isso sim, escolher por nós próprios, fazer escolhas coletivas no nosso próprio interesse, em consonância com as nossas necessidades e os nossos valores e com as necessidades do mundo que nos rodeia.

A União Europeia é menos perfeita do que muitos poderiam desejar e menos imperfeita do que a caricatura apresentada pelos seus críticos mais estridentes. Para poder ser aperfeiçoada, adaptada e reformada, tem – antes do mais – de ser preservada.

Há 40anos, em junho de 1979, o Parlamento Europeu foi eleito pela primeira vez. Quarenta anos antes, em 1939, toda uma geração de jovens europeus foi forçada a combater entre si. A Segunda Guerra Mundial resultou na morte de 55 milhões de pessoas. 

Trabalhar em conjunto para resolver problemas e divergências tem sido a base da paz e da unidade europeias desde então. Foi uma lição pela qual pagámos um preço elevado e que não pode ser esquecida ou descurada devido à apatia ou à hostilidade.

O apoio à União Europeia atingiu um nível máximo, nunca antes igualado nas sondagens de opinião. Esse apoio tem de ser agora traduzido em participação nas urnas. Temos o maior mercado único do mundo. Os nossos valores e as nossas tradições – a dignidade de cada ser humano, a liberdade, a democracia, a ordem jurídica e a paz – são os alicerces do nosso modo de vida.

Mais do que nunca, a Europa precisa dos Europeus, razão pela qual nós, abaixo assinados, presidente do Parlamento Europeu e antigos presidentes do Parlamento Europeu, apelamos aos povos da Europa para que exerçam o seu direito cívico e a sua responsabilidade de votar nas próximas eleições para o Parlamento Europeu.

Artigo assinado pelo actual presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, e pelos antigos presidentes Lord Plumb (1987-1989), Enrique Barón Crespo (1989-1992), Klaus Hänsch (1994-1997), José María Gil‑Robles (1997-1999), Pat Cox (2002-2004), Josep Borrell Fontelles (2004‑2007), Hans‑Gert Pöttering (2007-2009) e Jerzy Buzek (2009‑2012)

Os autores escrevem segundo o novo Acordo Ortográfico