Sonho europeu assumido na festa do Famalicão

Clube minhoto de regresso à I Liga 25 anos depois.

A festa passou do estádio para as ruas de Famalicão
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A festa passou do estádio para as ruas de Famalicão Futebol Clube de Famalicão/DR

Investidor e responsável máximo da SAD do Famalicão prometeram “tentar algo maior” após o clube minhoto ter assegurado o regresso à I Liga, 25 anos depois.

Molhados, suados e eufóricos, o investidor israelita Idan Ofer e Miguel Ribeiro, responsável pela gestão do clube, declararam aos jornalistas que a subida do Famalicão à I Liga não poderá ser efémera. “Vamos ver o próximo objectivo. Mas queremos ir longe. O clube quer fazer uma grande época. E claro que asseguro o investimento, aliás o investimento vai crescer”, disse Idan Ofer, que já à pergunta sobre se pensa na luta por lugares europeus referiu: “Obviamente espero lutar por isso.”

O milionário israelita, conhecido pelos investimentos no Atlético de Madrid, por ter pagado 600 mil euros por uma réplica da Bola de Ouro do português Cristiano Ronaldo, e pela ligação anterior ao Rio Ave, disse estar “muito contente” pelo “feito espectacular” alcançado pelo Famalicão.

Já Miguel Ribeiro, sem lançar rótulos aos próximos objectivos, repetiu a ideia de que o clube de Vila Nova de Famalicão, cidade que neste fim de tarde está em festa com milhares de pessoas pelas ruas com bandeiras e cachecóis a aguardar a passagem dos seus “heróis”, vai “tentar algo maior”. “Hoje atingimos a I Liga. Está concretizado. Agora é festejar e, brevemente, meter as mãos à obra e tentar algo maior. Assumo sem problema nenhum. O nosso objectivo na I Liga será maior e objectivo maior é lutar pelos primeiros lugares”, apontou.

O responsável máximo da SAD famalicense lembrou que a sua equipa tem dez meses de casa e que era este o desfecho que tinha “desenhado”. “Nem sempre os nossos desejos se concretizam e, de facto, concretizámos, mas queremos muito mais, muito mais. Hoje é dia de celebrar. É dia de abrir as portas a esta cidade e a estes adeptos que tanto merecem. Somos um exemplo na II Liga. Criámos uma Liga à parte. Somos o clube que levou mais gente a estádios fora, o clube que mais apaixonou as pessoas, criámos eventos, criámos marca, criámos um clube à volta de pessoas e para pessoas. Vamos continuar com ambição”, afirmou.

Continuidade do treinador em dúvida

Miguel Ribeiro não desvendou o futuro quanto à continuidade ou não de Carlos Pinto no comando técnico dos minhotos, uma postura cautelosa que o técnico também preferiu adoptar quando, esta tarde, saiu do estádio e se preparava para entrar no autocarro que vai percorrer as ruas de Famalicão com os jogadores no topo.

“Neste momento mais do que olhar para o futuro, temos de realçar um facto. O Carlos [Pinto] em cinco jogos tem cinco vitórias. Não esqueço quem esteve atrás, o Sérgio Vieira [treinador que orientou o clube até à 26.ª jornada] que construiu esta caminhada. Os resultados estão à vista e agora temos de lutar pelo que falta lutar que é o campeonato”, disse Miguel Ribeiro.

“O importante é o prazer de treinar. Se for no Famalicão, será no Famalicão. Se for em outro clube será em outro clube. É uma situação que ainda não pensámos, nem falámos”, acrescentou Carlos Pinto.

O Famalicão assegurou neste domingo a sétima presença no principal escalão do futebol português, 25 anos depois, ao juntar-se ao Paços de Ferreira entre os promovidos da II Liga.

Depois de uma aparição aos adeptos à porta do estádio que incluiu muitas “selfies”, saltos e brindes com cerveja, os jogadores preparam-se para percorrer as ruas da cidade do distrito de Braga em direção à Câmara Municipal no topo de um autocarro descapotável.