Inspecção investiga colégio onde todos têm mais de 18 a Educação Física

Mais de metade dos alunos do 10.º ano do Ribadouro teve 20 valores à disciplina, que voltou a contar para a média de acesso ao superior.

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Paulo Pimenta

Nenhum dos alunos do 10.º ano do Externato Ribadouro teve uma nota inferior a 18 valores na disciplina de Educação Física no 2.º período deste ano lectivo. Mais de metade dos 248 estudantes foi mesmo avaliada com nota máxima. O caso, que é denunciado pelo blogue Com Regras nesta sexta-feira, já estava a ser seguido pela Inspecção-Geral de Educação e Ciência (IGEC), que vai investigar aquela escola privada do Porto.

O Com Regras publica imagens das pautas de nove turmas do 10.º ano. Nessas listagens é possível observar que dos 248 alunos do primeiro ano do ensino secundário, 128 (ou seja, 52%) tiveram 20 valores a Educação Física no 2.º período lectivo deste ano. Outros 108 estudantes (44%) foram classificados com 19 e apenas 12 tiveram 18 valores. Nenhum dos alunos do Ribadouro teve uma classificação inferior.

A disciplina de Educação Física voltou, este ano, a contar para a média de acesso ao ensino superior, seis anos depois de ter sido retirada pelo anterior Governo.

A IGEC já estava a seguir o caso nos últimos dias, antes de este ter sido denunciado pelo blogue Com Regras, um dos mais populares do sector de Educação. O organismo tutelado pelo Ministério da Educação vai abrir um processo de inquérito para “investigar a situação descrita, bem como identificar os responsáveis por eventuais ilícitos praticados”, informa por escrito ao PÚBLICO fonte do gabinete de Tiago Brandão Rodrigues.

“Caso se venha a verificar a prática de actos ilícitos desta gravidade, o Ministério da Educação agirá intransigentemente”, sublinha a mesma fonte.

O Externato Ribadouro tem tido presença regular entre as escolas que sistematicamente inflacionam as notas dos seus alunos. Este foi um dos poucos colégios desta lista que foi alvo das primeiras inspecções sistemáticas da IGEC que pretendem contrariar esta prática e que deram conta de um fenómeno mediante o qual os estabelecimentos de ensino fazem “vista grossa” aos critérios de avaliação que eles próprios definem para poderem atribuir aos estudantes classificações mais elevadas.

No início deste ano, o PÚBLICO visitou esta escola a propósito de um trabalho precisamente sobre as inflações de notas, aquando da publicação do último Ranking das Escolas. O colégio do Porto voltou a aparecer entre os que atribuem sistematicamente notas internas aos seus alunos mais elevadas do que aquelas que estes conseguem depois nos exames nacionais. Na altura, os responsáveis do colégio do Porto autorizaram a visita, mas acabaram por recusar prestar declarações gravadas sobre o tema.