Morreu Maria Alberta Menéres, a autora de Ulisses

A escritora infanto-juvenil e professora nasceu em 1930 e publicou mais de 70 livros para crianças.

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Facebook, Maria Alberta Menéres

A escritora Maria Alberta Menéres morreu na tarde desta segunda-feira aos 88 anos. A antiga professora de Língua Portuguesa e História, do básico e do secundário, nasceu em 1930, em Vila Nova de Gaia. Conhecida pelo título Ulisses, a adaptação da obra de Homero para os alunos do 6.º ano, a autora recebeu o Grande Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças em 1986 “pelo conjunto da sua obra literária e pela manutenção de um alto nível de qualidade”. A partir das 18h desta terça-feira, o corpo estará em câmara ardente nas capelas exequiais da Basílica da Estrela, a missa de corpo presente será na quarta-feira, às 13h, seguindo o funeral para o crematório do cemitério dos Olivais, em Lisboa.

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Segundo a Porto Editora, a autora tem uma vasta obra poética e está representada em várias antologias literárias nacionais e estrangeiras, publicou mais de 69 livros para crianças. Além da escrita, Maria Alberta Menéres foi autora de vários programas televisivos para crianças, tendo sido directora do Departamento de Programas Infantis e Juvenis da RTP de 1974 a 1986, além de ter sido colaboradora em vários jornais e revistas, assim como tradutora. Foi também a criadora do conceito, e deu o nome, ao “ Pirilampo Mágico”, a convite de José Manuel Nunes da Antena 1. 

Em 2006, a autora contou ao PÚBLICO que aprendeu a ler sozinha, tinha cinco anos. Então, percebeu que as letras impressas nos cartões correspondiam às imagens pintadas, por isso, cheia de confiança anunciou a todos: “Eu sei ler.” Reuniu a família, olhou para os cartões e foi dizendo as palavras, até que chegou a vez de “mão” e houve uma explosão de risos. Era uma luva. “Fiquei danada, tinha sido apanhada... A partir daí nunca mais fiz batota!”, recordou. É então que decide aprender a ler sozinha.

Foi em família que aprofundou o gosto pela leitura. O avô paterno mandava vir do Brasil revistas infantis onde escreviam grandes nomes da literatura brasileira, como Monteiro Lobato, e comprava-lhe os clássicos, a Ilíada, a Odisseia... “Lia, lia, lia... Lia tanto que fiquei com miopia porque lia de noite, depois de o meu pai apagar a luz do quarto”, contou há 12 anos ao PÚBLICO.

Era ainda pequena quando decide ser escritora e poetisa. Aos nove anos faz a sua primeira quadra. Estava na praia e de dicionário em punho – convencida de que para abraçar a escrita tinha de decorar todas as palavras – escreve: “Num sibilar longínquo/ o mar rugia a chorar/ É que um segredo iníquo/ o fazia meditar.”

Menéres iniciou a sua carreira pela poesia com Intervalo, em 1952. Oito anos depois receberia o prémio internacional de poesia Giacomo Leopardi pelo livro Água-Memória, recorda o Jornal de Notícias (JN), num texto publicado há nove anos. A autora, em conjunto com o seu marido Ernesto Melo e Castro – os pais da cantora Eugénia Melo e Castro –, organizou a Antologia da Novíssima Poesia Portuguesa, na década de 1950.

A autora escreveu dezenas de títulos sobretudo para os mais novos, tentando passar sempre uma mensagem pedagógica. Em 2010, ano em que celebrou o seu 80.º aniversário, a editora Asa dedicou-lhe o ano, tendo realizado várias iniciativas. Então, a autora publicou Camões, o Super-Herói da Língua Portuguesa, que, segundo a própria, citada pelo JN, é “uma biografia romanceada à minha moda de um dos maiores poetas portugueses”.

Notícia actualizada às 12h57 de 16/04/2019: acrescentada informação sobre funeral.