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Oficina de Inês Barbosa
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Póvoa de Lanhoso

Na terra do ouro, o coração é de filigrana (e é de todos nós)

Perde-se no tempo, o ofício do ouro na Póvoa de Lanhoso. Pode vir da época castreja ou não – o certo é que até há poucos anos famílias inteiras se dedicavam a ele, num saber que passou de geração em geração. Hoje, ainda sobrevive numa tradição que se renova sempre com a filigrana mais fina que se faz em todo o mundo.

Há corações à solta na Póvoa de Lanhoso. É assim há séculos, e até já foram mais. Em bancas, vemo-los de vários tamanhos, minúsculos ou com mais fôlego, em esqueleto, a encherem-se, já cheios à espera de solda. Em vitrinas vemo-los já terminados, em placards e paredes são um excesso simbólico. Como na fachada da Casa da Botica, virada à Praça dos Artistas – da torre de granito ostenta as provas da vetustez da vila: foral de 1292 e renovado em 1514. O chamado coração de Viana (ou coração minhoto – na verdade, “coração em chamas”, na verdade, Sagrado Coração de Jesus) é um ícone da ourivesaria portuguesa e não passa um dia sem que nas oficinas da Póvoa de Lanhoso se fabriquem várias dezenas. Está “na moda” e ninguém desdenha da fama – mas desdenham as circunstâncias da (súbita) popularidade: foi preciso alguém de fora, não por acaso famosa (Sharon Stone), para que os portugueses o (re)descobrissem. Contudo, há já muitos séculos (milénios, se acreditarmos que os três torques de Lanhoso foram aqui produzidos), que o coração da Póvoa de Lanhoso bate em filigrana, mesmo que na rotunda à entrada da vila sejam as contas – de Viana, do Minho ou “olho de perdiz” – que se exibem, juntamente com o slogan: “Terra do Ouro”. Hoje, entre a tradição e a vontade de futuro, na Póvoa de Lanhoso cabe “toda” a filigrana de Portugal.