N’Dicka estendeu a passadeira para João Félix fazer história

Numa noite memorável para o jovem avançado português, o Benfica derrotou o Eintracht Frankfurt no Estádio da Luz, por 4-2, mas um golo de Gonçalo Paciência ainda dá esperança aos alemães

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João Félix é o mais jovem português a fazer três golos nas competições europeias Reuters/PEDRO NUNES

Se algum dos grandes clubes europeus ainda tinha dúvidas, a primeira mão dos quartos-de-final da Liga Europa terá certamente acabado com o cepticismo. João Félix mostrou nesta quinta-feira por que motivo é um dos mais promissores e cobiçados jogadores do futebol europeu e, com um hat-trick e uma assistência, deixou o Benfica mais perto das meias-finais da competição. Frente a um Eintracht Frankfurt de muita qualidade – ainda não tinha qualquer derrota em 2019 -, os “encarnados” sentiram dificuldades nos primeiros 20 minutos, mas a expulsou do defesa francês Evan N´Dicka serviu de rastilho para uma exibição explosiva de João Félix. Apesar da vitória, por 4-2, o golo de Gonçalo Paciência aos 72’ ainda dá esperança aos alemães.

O discurso de Bruno Lage na véspera não teve qualquer novidade. Como sempre, houve a promessa de colocar em campo “a melhor equipa”, com o objectivo de “vencer o jogo”. Mas Lage deixou escapar que “há uma [competição] que é mais importante, que é o campeonato”. E a pouco mais de uma hora de o Benfica começar a lutar por um lugar entre os quatro melhores da Liga Europa, o anúncio do “onze” benfiquista não deixava dúvidas: O duelo de domingo, contra o V. Setúbal, tinha prioridade para Lage.

Tal como tinha acontecido na eliminatória anterior frente ao Dinamo Zagreb, o treinador do Benfica deixou o único jogador de área que tinha disponível no banco (contra os croatas Jonas foi suplente; frente aos alemães Seferovic começou no banco) e o ataque “encarnado” à Europa foi feito com um meio-campo robusto (Samaris e Fejsa) e um quarteto móvel na frente (Gedson, Cervi, Rafa e Félix). 

Ao contrário de Lage, o competente técnico austríaco Adi Hütter pareceu pouco preocupado com a Bundesliga, onde a seis jornadas do fim o Eintracht está muito perto de garantir a sua melhor classificação do último quarto de século. Mas Hütter fez duas alterações em relação ao último jogo: saíram Guzmán e Willems; entraram Rode e N'Dicka. E o defesa francês, de apenas 19 anos, acabou por estar num dos momentos decisivos da partida.

Com a táctica habitual de três centrais e um ataque servo-croata com muito talento (Rebic, Jovic e Kostic), o Eintracht entrou na Luz com autoridade e precisou de cinco minutos para criar perigo, mas Grimaldo corrigiu o primeiro erro da noite de Jardel e adiou o golo de Jovic. À entrada agressiva do Eintracht, que dominava em tudo (posse de bola, remates, cantos e faltas), os jogadores do Benfica respondiam com timidez e aparente desnorte perante o esquema desenhado por Lage. No entanto, aos 20 minutos entraram em acção dos dois protagonistas da noite: após uma grande assistência de Félix, Gedson surgiu isolado mas foi derrubado por N´Dicka. Félix não tremeu no frente a frente com Trapp e começava a fazer história.

Em inferioridade numérica, o Eintracht retraiu-se e o Benfica passou a estar confortável. Havia, porém, mobilidade a mais e presença na área a menos do lado “encarnado”, enquanto a equipa de Frankfurt não desperdiçava a oportunidade de contra-atacar: aos 39’, Grimaldo voltou a ser decisivo e desviou o remate de Rebic. O aviso estava dado, mas não foi compreendido por Fejsa. No minuto seguinte, Fejsa perdeu a bola de forma infantil e Rebic, com muita categoria, ofereceu a Jovic a oportunidade de brilhar no regresso ao à Luz e fazer o seu oitavo golo na prova.

Mas o protagonismo do avançado sérvio durou pouco, roubado por um antigo companheiro seu no Seixal. Numa jogada já vista a nível interno, Félix fugiu à concorrência e com um remate colocado de fora da área, voltou a colocar o Benfica na frente. O jogo estava partido e a primeira parte não acabou sem um grande susto para os “encarnados”, mas Kostic viu um golo anulado por posição irregular de Danny da Costa, que segundo o árbitro assistente terá tapado o angulo de visão de Vlachodimos.

A vencer por 2-1 e com superioridade numérica, Lage colocou no início da segunda parte Pizzi e Seferovic no aquecimento, mas o treinador benfiquista nem precisou de lançar dois dos seus principais triunfos para chegar à goleada. Aos 50’, Grimaldo marcou um canto, Félix desviou ao primeiro poste e Rúben Dias fez o 3-1. Apenas três minutos depois, o defesa espanhol mostrou que é dos melhores a assistir no futebol português e ajudou Félix a inscrever o seu nome na história do futebol português: com um remate rasteiro, o “79” completou o hat-trick e, superando Eusébio, tornou-se no mais jovem português a fazer três golos nas competições europeias.

Com 4-1 e mais um jogador, o Benfica parecia ter a qualificação para as meias-finais praticamente no bolso, mas o Eintracht, mesmo com apenas dez jogadores, teve a aptidão para conseguir voltar a marcar dois golos no Estádio da Luz que podem fazer a diferença na próxima semana: aos 72’, apenas quatro minutos depois de entrar em campo, Gonçalo Paciência ganhou o duelo com Jardel e de cabeça fez o golo que retira tranquilidade ao Benfica para a viagem a Frankfurt, mas não evita a primeira derrota em 2019 da equipa de Adi Hütter.