Manuel Roberto
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Manuel Roberto

Afinal, os gatos reconhecem mesmo o próprio nome

Um estudo realizado pela Universidade Sophia, em Tóquio, revelou que estes animais conseguem reconhecer o próprio nome, mesmo quando pronunciado por vozes que não a do dono.

Um estudo desenvolvido por investigadores da Universidade Sophia, em Tóquio, no Japão, veio provar aquilo que muitos donos já desconfiavam, mas que a ciência ainda não tinha conseguido provar: afinal, os gatos, à semelhança dos cães, também conseguem reconhecer o próprio nome e responder quando são chamados.

Na investigação, publicada na revista Scientific Reports (do grupo da revista Nature), participaram 78 animais domésticos, residentes em casas particulares e em “cat cafés”, que foram submetidos a diferentes experiências. O objectivo foi perceber a capacidade destes felinos em distinguir o próprio nome — entre palavras comuns e nomes de outros animais com os quais coabitavam — quando vocalizado por um ser humano.

Para efectuar estas experiências, os investigadores — Atsuko Saito, Kazutaka Shinozuka, Yuki Ito e Toshikazu Hasegawa — aplicaram o método “habituação/desabituação”, que consistiu em apresentar aos animais quatro palavras diferentes, como estímulo de habituação, e depois pronunciar o próprio nome do gato, como estímulo de teste. O primeiro tipo de estímulo contemplava palavras semelhantes, em termos fonéticos e silábicos, ao nome do animal.

O resultado das experiências seria positivo se se verificassem reacções familiares para com as primeiras quatro palavras e não com o nome, mas, mesmo assim, fosse captada uma reacção no momento em que se pronunciava o nome do animal. As reacções mais registadas pelos autores do estudo foram movimentos de orelhas, pescoço e da cauda, assim como o típico miar.

No caso dos gatos que habitam em casas particulares, mas convivem diariamente com outros animais da mesma espécie e a quem são ditas várias palavras, não se apresentava como factor determinante se a invocação fosse proferida pelo dono ou por uma voz que não lhes fosse familiar, visto que a identificação era feita de igual forma.

Também não se constataram diferenças no reconhecimento feito por parte de animais de habitações privadas e de “cat cafés”, já que ambos pareceram reconhecer o próprio nome. No entanto, os que vivem nestes espaços de convívio não conseguem distinguir o seu nome do dos restantes animais. Segundo os autores do estudo, esta limitação deve-se “à frequência com que os gatos ouvem o seu nome agregado ao dos restantes gatos, o que os faz associar todos os nomes a uma situação de repreensão ou recompensa”.

A justificação dada pelos investigadores para este reconhecimento prende-se com o facto de o nome do gato ser considerado um “estímulo saliente”, tal como as palavras mais frequentemente usadas pelos donos quando se referem a recompensas, como comida, demonstrações de afecto ou momentos destinados a brincar. Para a identificação contribui, em grande parte, a diferenciação fonética que os gatos conseguem fazer dos sons que ouvem.

Este estudo vem, assim, complementar a investigação científica existente sobre as interacções entre gatos e humanos que, embora residual, já provou a capacidade que estes felinos têm de comunicar com os donos, nomeadamente através de variações acústicas no miar que podem indiciar necessidades distintas, tal como a solicitação de comida ou a manifestação de uma dor, e com diferentes níveis de urgência.