Análise

Hugo Miguel e o derby: bem tecnicamente, menos bem na disciplina

O jogo Sporting-Benfica disputado nesta quarta-feira, no Estádio José Alvalade, e relativo à segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal, teve várias situações em que a equipa de arbitragem chefiada pelo também lisboeta Hugo Miguel foi colocada à prova. Sem abordar o sucedido no final da partida e que levou à expulsão de Rafa e à amostragem do cartão amarelo a Bruno Gaspar (dado que não dispomos da informação concreta que levou àquelas decisões), deixo aqui a minha análise aos lances mais controversos.

23’ Bruno Gaspar agarra claramente e de forma ostensiva Grimaldo destruindo desta forma uma saída rápida em contra-ataque. O árbitro advertiu o jogador verbalmente, mas ficou um cartão amarelo por mostrar.

24’ Coates tem uma entrada negligente sobre um seu adversário. Ao não ter em conta o perigo e as consequências do seu acto deveria ter sido advertido.

31’ Luiz Phelyppe cai na área do Benfica, mas não houve motivo para penálti. É o avançado “leonino” que, nas costas de André Almeida, choca com este.

43’ Cartão amarelo incorretamente mostrado a João Félix. Tratou-se de uma entrada meramente imprudente, ou seja, actuou sem precaução e nem sequer travou a acção atacante da equipa do Sporting.

45’ Gudejli é incorretamente advertido, pois não cometeu qualquer infracção na disputa de bola.

48’ Fica por mostrar um cartão amarelo a Pizzi por rasteirar, por trás, de forma negligente, Bruno Fernandes, cortando desta forma um ataque prometedor do Sporting.

54’ Cartão amarelo correctamente mostrado a Bruno Gaspar por carregar Rafa, cortando e anulando desta forma uma saída rápida em contra-ataque do Benfica.

59’ A falta cometida por Luiz Phelyppe sobre Svilar não era merecedora de cartão amarelo, como foi mostrado. O brasileiro tentou apenas chegar e interceptar a bola, tendo feito uma falta normal, ou seja, imprudente.

63’ Bem mostrado o cartão amarelo a Rafa que, ao não parar o seu movimento, acabou por entrar de forma negligente sobre o seu adversário.

72’ Não há motivo para penálti, Ruben Dias tem o seu braço encostado ao corpo. O defesa do Benfica não ganha volumetria, nem tem o braço fora do plano do corpo. Nem sequer tem o braço em posição não natural. Apenas movimentou o tronco no sentido da bola.

77’ Acuña é correctamente advertido, quer pelo comportamento antidesportivo, quer pelas palavras e gestos que fez ao protestar.

Análise global

Num jogo de grau de dificuldade elevado e num contexto também ele de tensão, como deu para perceber no final do jogo, Hugo Miguel esteve tecnicamente bem, nomeadamente ao nível dos principais lances ocorridos nas duas áreas. Foi no plano disciplinar que teve uma actuação algo irregular e pouco uniforme em termos de critério e de gestão do jogo e dos jogadores.