Bactéria multirresistente encerra cuidados intensivos do hospital de Évora

A unidade de cuidados intensivos será descontaminada nesta quarta-feira "retornando à sua actividade normal no próprio dia”, faz saber o hospital.

Hospital ainda funciona esta terça-feira, para permitir alta de doentes
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UCI do hospital ainda funciona esta terça-feira, para permitir alta de doentes Fábio Augusto

Uma bactéria multirresistente foi detectada na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) do Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE), obrigando ao seu encerramento temporário, revelaram nesta terça-feira à agência Lusa fontes hospitalares. “É uma bactéria transmissível” e, por esse motivo, será necessário encerrar a UCI de Évora “para limpeza e desinfecção”, adiantou o secretário regional do Alentejo do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Armindo Ribeiro.

Em comunicado divulgado entretanto, o conselho de administração do hospital indicou ter decidido “realizar uma descontaminação da Unidade de Cuidados Intensivos Polivalente, após terem sido isoladas estirpes de bactérias multirresistentes, habituais em ambiente hospitalar”.

“Na sequência dessa decisão e após desocupação” do serviço, na quarta-feira, a unidade de cuidados intensivos “será descontaminada, retornando à sua actividade normal no próprio dia”, referiu o HESE, citado pela Lusa.

Segundo a administração da unidade hospitalar, “este procedimento é habitual nos hospitais, sempre que tal se justifica”.

Antes, uma fonte da administração hospitalar referira à Lusa que a UCI ainda estava a funcionar, a meio da tarde desta terça-feira, por ser necessário esperar pela alta desta unidade de todos os doentes internados. “É uma situação de rotina e não põe em causa os utentes, nem os profissionais”, notou a fonte, assinalando que o hospital de Évora tem “protocolos de segurança que permitem evitar o risco e controlar estas situações”.

Grande falta de profissionais

Nas declarações à Lusa, o secretário regional do Alentejo do SIM considerou que “a grande falta de profissionais” nos hospitais faz com que “a prestação de cuidados de saúde tenha vindo a degradar-se e que os controlos microbiológicos dos doentes sejam cada vez mais difíceis”. “A diminuição do rácio médico/doente e enfermeiro/doente faz com que haja uma dificuldade acrescida para a prestação de cuidados de saúde, motivo pelo qual poderão aparecer, não só nesta unidade, como em outras, este tipo de situações”, acrescentou.

Contactado pela Lusa, Celso Silva, dirigente no Alentejo do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) revelou que, das informações que recolheu, a bactéria detectada foi “a KPC (Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase), que é comum surgir em unidades de cuidados intensivos”.

“É uma bactéria resistente à maioria dos antibióticos, como existem outras, e que se desenvolve nestes meios, onde há muitos aparelhos e doentes ventilados e se utilizam, porque é mesmo necessário, muitos antibióticos”, referiu o dirigente sindical.

Segundo Celso Silva, trata-se, por isso, de “uma bactéria comum” e, apesar de se tratar de “uma situação grave, a única solução é descontaminar o serviço, com recurso a produtos específicos”.

O sindicalista adiantou que, dos dados que recolheu, “só havia um doente internado na Unidade de Cuidados Intensivos” Polivalente do HESE, o qual “vai ser transferido para o internamento normal porque está em condições disso”.

“Do que sei, o doente não está infectado e não há nenhum profissional de saúde atingido. A bactéria deve estar alojada em algum equipamento ou local do serviço e, por isso, o que há a fazer é a descontaminação e, em princípio, o problema ficará resolvido”, desdramatizou.

O dirigente sindical escusou-se a estabelecer uma relação de “causa-efeito” entre o aparecimento da bactéria e o número de profissionais no serviço: “Extrapolar isto para a falta de pessoal ou para qualquer outra coisa é demais. Não há uma causa-efeito para este tipo de bactéria, excepto as resistências normais que, ao longo do tempo, vai ganhando aos antibióticos.”