Centro-direita vence na Estónia, extrema-direita cresce

Os dois maiores partidos do centro têm maioria e poderão governar juntos.

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Kaja Kallas está na melhor posição para ser a primeira mulher a chefiar um Governo na Estónia DR

O partido Reforma, de centro-direita, venceu as eleições na Estónia com 28,8% e a sua líder, Kaja Kallas, está na posição de se tornar chefe de Governo. Embora não seja claro com que parceiros, parece provável uma solução de “bloco central” com uma coligação dos dois maiores partidos.

O partido do Centro (centro-esquerda), do primeiro-ministro Jüri Ratas, ficou em segundo lugar com 23%. Os partidos Reforma e Centro têm alternado na chefia do Governo desde a independência da Estónia da União Soviética, em 1991, com uma única excepção em 2002, quando Sim Kallas, do Partido Comunista, liderou um Governo.

A terceira força mais votada foi a extrema-direita. O Partido Conservador do Povo da Estónia (EKRE) mais do que duplicou a sua votação, chegando aos 17,8%, mas a potencial nova chefe do Governo (se assumir o cargo, esta vai ser a primeira vez que a Estónia tem uma primeira-ministra, o país já tem uma mulher na Presidência) afastou a hipótese de se coligar com a extrema-direita.

O partido EKRE, que durante a campanha defendeu um referendo à permanência na União Europeia, menos imigração e uma descida dos impostos, “não é uma opção para nós”, disse Kallas após a divulgação dos resultados. Antes, também o partido do Centro recusara qualquer entendimento com a extrema-direita.

Isso deixa apenas duas hipóteses de coligação para um Governo maioritário: ou o de bloco central, ou o Partido Reforma se coliga com outros dois partidos, o conservador Pro Patria (11,4%) e o Partido Social-Democrata (9,8%).

Isto é visto como pouco provável porque foram justamente estes dois partidos que aprovaram uma moção de censura ao anterior governo liderado pelo Reforma, e depois exigiram a sua demissão e juntaram-se ao partido do Centro para formar Governo com Jüri Ratas.

Se o país optar por uma coligação de bloco central, ficará com um modelo muito semelhante à Alemanha, com os dois partidos do centro no Governo e deixando à direita radical o papel de principal partido da oposição.

Contrariando um pouco esta impressão, Kallas notou que apesar de não excluir esta hipótese, o seu partido tinha “grandes diferenças” com o Centro em questões de impostos, educação, ou cidadania.

Os dois principais partidos defenderam reformas fiscais, o Reforma para ajudar à criação de emprego e o Centro para aumentar as contribuições para os cofres do Estado. O Centro propôs manter um sistema dual nas escolas em língua estónia e russa, algo que tanto o Reforma como a extrema-direita propuseram abolir (a minoria russa é um quarto da população na Estónia).

Apesar da subida da extrema-direita, “os eleitores no país do Báltico focaram-se principalmente em assuntos internos e deram às duas forças do centro uma via clara para formar um Governo”, comentava a emissora especializada em assuntos financeiros Bloomberg.

Os dois partidos do centro têm levado a cabo políticas de austeridade que deixaram a Estónia com a menor dívida de qualquer país da União Europeia mas causou ressentimento entre muitos, especialmente nas comunidades rurais, diz a emissora britânica BBC.